Um ano e sete meses depois do acidente, Eliana reaprende a andar


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SONHO A REALIZAR - Na garagem de sua casa, Eliana Eugênia mostra as próteses que lhe permitirão andar
SONHO A REALIZAR - Na garagem de sua casa, Eliana Eugênia mostra as próteses que lhe permitirão andar
A ex-sapateira Eliana Eugênia da Silva, 35, se prepara para realizar seu maior sonho: voltar a andar. No dia 23 de maio de 2007, ela foi vítima de um grave acidente e precisou amputar metade das pernas. Após um ano e sete meses sobre uma cadeira de rodas, acaba de ganhar um par de próteses e está cheia de esperanças para reconquistar sua independência. Eliana empurrava o carro do ex-marido que havia estragado, na Avenida Antônio Barbosa Filho, quando uma Kombi bateu na traseira do veículo e a atingiu. Chovia no dia. No momento da tragédia, ela chegou a pedir “pelo amor de Deus” para morrer. A amputação foi inevitável. Agora, Eliana se prepara para vencer mais um desafio. Há uma semana ganhou as próteses. Elas são feitas com uma parte metálica fina na região da canela e uma estrutura acrílica para ela encaixar as coxas e se deslocar. As duas peças custaram R$ 15 mil. Foram doadas por um voluntário, que prefere o anonimato. A ex-sapateira já experimentou as “novas pernas” duas vezes e fala orgulhosa dos primeiros passos que deu. “Foi maravilhoso. Para mim, foi uma sensação de renascer. Há um ano e sete meses, fico olhando as pessoas para cima e quando coloquei as próteses, me senti de igual para igual. Olhar direto nos olhos delas foi emocionante. Por mim, eu nem teria descido”. Antes do uso contínuo, precisará de treinamento acompanhado de fisioterapeuta. A expectativa é adaptar-se no prazo de um ano. Ela fará os exercícios na Unifran (Universidade de Franca) e em sua casa. A Prefeitura doará as barras para ela se apoiar durante os treinamentos. Os equipamentos serão instalados na garagem. Como a universidade está de férias, a aluna de fisioterapia Gabriela se prontificou a acompanhá-la em casa. “Tenho muito a agradecer à Gabriela, que podia curtir as férias dela e irá me ajudar. Quero voltar a andar o mais rápido possível. Mas é um treino rigoroso. Preciso ter paciência”. Eliana está ciente de que tem um longo caminho pela frente. “No dia que andei pela primeira vez com as próteses senti uma euforia, mas depois, à noite, fiquei olhando para a prótese e me deu uma emoção e um medo também. É uma luta. Mas vou conseguir”. Ela já decidiu o que fará quando o sonho for realizado. “Quero fazer pequenas coisas. Ir à Santa Casa para rever os médicos e tomar sorvete com minha filha porque a gente fazia muito isso”. Outra programação é viajar até Aparecida do Norte. “Quero ir lá levar uma foto com perna, uma sem perna e outra andando com as próteses. Esse é um compromisso para 2009”.

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