A grande maioria dos jovens pensa em se mudar para grandes centros para arrumar emprego e ganhar muito dinheiro. Mas há um público que quer justamente o contrário. Há jovens que optaram por trabalhar no campo. A maioria acompanha a profissão dos pais.
Muitos não esperam nem mesmo a idade de ingressar em uma faculdade e se matriculam em cursos técnicos, como no Colégio Agrícola de Franca, onde estudam 480 alunos, dos quais cem são meninas. A Subdelegacia do Ministério do Trabalho em Franca e a Cati (Coordenadoria de Assistência Integrada) não têm dados de quantos jovens trabalham na zona rural.
Mesmo não tendo dados concretos, o engenheiro agrônomo da Cati, Joel Leal Ribeiro, acompanha muitos destes jovens e diz que o perfil mudou. “Eles não são mais como a maioria dos pais, que não deu seqüência nos estudos. Grande parte destes jovens concluem, pelo menos, o ensino médio. Muitos vão além e ingressam na faculdade”, disse Ribeiro, que acrescentou que os municípios de Cristais Paulista e Pedregulho concentram o maior número de jovens que trabalham no campo principalmente na plantação de café.
A situação também melhorou quanto ao registro. “Esses jovens trabalham com carteira de trabalho assinada e não aceitam ganhar tão pouco. Em média, o salário chega a R$ 700 mensais”, disse Joel Ribeiro.
Geraldo Augusto Ferreira Filho, 24, faz parte do grupo de jovens que preferem ficar no campo ajudando a família. Desde pequeno trabalha com o pai na plantação de café e na criação de gado de corte no município de Pedregulho. Só saiu de casa para cursar agronomia na Faculdade “Francisco Maeda”, de Ituverava. “Sempre quis trabalhar na lavoura desde criança”. A rotina de Geraldo não é fácil. Mesmo trabalhando com o pai tem que madrugar. Acorda por volta das 5h30 e às 6 horas já está saindo para o trabalho.
Geraldo fica responsável pelos maquinários, transporte dos trabalhadores e ainda ajuda na parte administrativa da fazenda. O salário de Geraldo varia conforme o rendimento da fazenda. O valor não foi informado.
Trabalhar com agricultura também é o que deseja Jéssica Felipe Gonçalves, 17. Jéssica, que é de Restinga, mora no Colégio Agrícola há dois anos para estudar agricultura e gestão de empresa rural. “Meu avô mexe com gado leiteiro e foi aí que me interessei pelo assunto”. A rotina da estudante começa às 6 horas. Às 7 horas, depois de tomar café, já está dentro da sala de aula. A disciplina é diária. Tem hora para tudo. “Como também estudo à noite, o meu dia só termina por volta das 23 horas”. Uma das colegas de Jéssica é Letícia Alves Faria, 16, que mora em Franca.
A rotina desta jovem mudou totalmente há dois anos quando decidiu cursar agricultura. “No primeiro ano, eu tive que lavar chiqueiro, o curral e cuidar dos coelhos todos os dias. Hoje já me acostumei”.
Em meio às meninas, está Alexandre Mangerona, 25, de Batatais. Quando chegou ao Colégio estava com 23 anos e deixou para trás o emprego em uma empresa de comunicação visual. “Meu pai trabalha no ramo de agronomia e me convenceu a mudar de área. Não me arrependi. Estou gostando muito do curso e pretendo trabalhar no campo. Estou bem mais feliz hoje”.
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