Os padres Silvio Donizeti Ernesto e Adriano Henrique Silva, que sofream ataques a bomba em outubro último, não fazem mais parte da Paróquia São Crispim, no City Petrópolis, em Franca. Eles foram transferidos. O motivo seria garantir a segurança dos dois.
Segundo a igreja, ambos teriam sido ameaçados novamente. Por precaução, a Diocese de Franca decidiu antecipar o remanejamento anual de padres e incluir os dois religiosos nos planos de mudança. Além deles, outros oito padres também assumirão novas comunidades, alguns já a partir do próximo sábado.
Anunciado sempre em 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Diocese, o remanejamento de padres normalmente só começa a valer no ano seguinte ou após o Natal.
Desta vez, o processo foi antecipado por causa das ameaças aos padres. No lugar deles, assumirá padre Antônio Marcos de Oliveira. Padre Marquinho, como é conhecido, era pároco em Cristais Paulista e começa a trabalhar na São Crispim neste fim de semana.
O destino dos padres Silvio e Adriano não foi divulgado. O bispo de Franca, dom frei Caetano Ferrari, disse apenas que eles continuam ativos na Diocese. “Mudamos eles (os padres) de paróquia por prudência, cautela. Queremos preservá-los. É uma medida de segurança”.
Dom Caetano disse também que os sacerdotes não estavam na lista de mudanças, mas, em conversa com os próprios padres, ele decidiu pelas transferências. Os dois teriam concordado com a saída por causa das novas ameaças informadas aos padres por meio de terceiros.
Desde novembro, o sapateiro AJS, 26, acusado dos ataques à igreja e aos padres, não está mais em tratamento psiquiátrico e teria prometido vingança. Ontem o investigador Lucas Costa, do 5º Distrito Policial, confirmou que os padres foram ouvidos novamente há 15 dias e o inquérito continua aberto. Ele disse ainda que o delegado do caso, Hélder Rodrigues, pensa em pedir a prisão preventiva do acusado.
O bispo disse ainda que a decisão também foi discutida no Conselho Diocesano de Presbíteros, que envolve 58 padres, ocorrido na última sexta-feira. “Houve concordância unânime, pois trata-se de uma necessidade de segurança”.
AS AMEAÇAS
Os padres Silvio e Adriano foram vítimas de um atentado a bomba ocorrido em outubro. Na ocasião, uma bomba caseira jogada na garagem da casa paroquial danificou um veículo utilizado por um dos padres. Antes, ataques semelhantes ocorreram na igreja onde os dois padres atuavam.
Por medidas de segurança, as missas foram suspensas na comunidade por uma semana até a identificação do acusado. Na mesma semana, o sapateiro AJS assumiu os ataques e culpou os padres por um sofrimento amoroso. AJS disse também que era vítima de macumba dos padres. Com problemas psiquiátricos, ele foi internado no Hospital Alan Kardec e já foi liberado.
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