É mesmo de se estranhar o que acontece nessa querida Franca do Imperador. Pelo que tenho lido e observado, grande parcela da culpa pela crise no setor calçadista é creditada à China que, pela mão de obra barata, invade o mundo com produtos de preços extremamente competitivos, apesar da tão propalada baixa qualidade. Outra parcela está sendo creditada, por alguns, ao despreparo do empresariado calçadista. Sabemos que a mesma China ‘invade’ o Brasil e o mundo também com produtos de vestuário a preços extremamente baixos. No entanto, a indústria de vestuário de Franca, ao que consta, vai muito bem, obrigado! Questiono, então: será que os industriais do vestuário vão bem porque ainda não descobriram Rifaina ou não construíram suntuosos prédios e os decoraram com grossos tapetes? Será que as Indústrias Matarazzo foram à falência por terem construído grandiosos galpões na capital ou será que porque o conde tinha casa no Guarujá? Guardadas as devidas proporções, Rifaina está para Franca assim como o Guarujá ou a Baixada Santista estão para a Capital. Sinceramente, com todo respeito às opiniões em contrário, acho que quem trabalha e consegue construir um patrimônio, tem todo o direito ao lazer e pode dele desfrutar quer viajando, quer comprando um rancho em Rifaina ou uma casa ou apartamento no Guarujá. Não creio que seja isso o que leva a indústria calçadista à atual crise. Isto sim, os problemas são gerados pela verdadeira espoliação praticada pelos bancos e seus juros estratosféricos, aliado à gigantesca carga tributária e à arcaica legislação trabalhista. Isto sim, é o que acontece. Quando vemos a Petrobras buscando dinheiro na Caixa Econômica Federal para socorrer problemas de fluxo de caixa temos realmente que nos preocupar. Dinheiro para a indústria calçadistas ou para as demais com juro suportável só chega no máximo até as manchetes dos jornais com notícias de liberação. Na prática, não chegam. Dinheiro do BNDES só para os grandes. Dinheiro para passar por crises? Só para os bancos! Para a indústria sobram os fiscais, do Trabalho, da Fazenda Estadual, da Receita Federal, da Cetesb, do Ibama, os Florestais. Mesmo em Rifaina...
Éder Silveira Brazão
Franca - SP
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