A obra inacabada da Avenida Major Nicácio conhecida como “piscinão” continua sendo usada por moradores das proximidades para a prática de pesca e como refúgio para usuários de drogas. O perigo da construção foi evidenciado no ano passado, quando uma mãe salvou o filho que se afogava no local. O episódio foi registrado pelo fotógrafo do Comércio da Franca, Tiago Brandão, e ganhou repercussão internacional.
Na tarde de sábado, ignorando o mato alto e as ferragens velhas do lugar, dois adolescentes, aparentando ter entre 12 e 15 anos, organizavam material para pescar (vara e anzol) no “piscinão”. Foram abordados pela reportagem, mas não quiseram conversa.
Acenando a cabeça em sinais de “sim” e “não” responderam a apenas três perguntas: se freqüentavam sempre o lugar (sim), se não têm medo de se machucar nas ferragens (não) e se conhecem os riscos que correm (sim). Depois, continuaram a preparar a “pesca”.
Pouco depois, um homem trajando apenas short e tênis - sem camisa - chegava ao piscinão com uma mochila nas costas. Não pescou. Entrou em um cômodo que existe no local - possivelmente para fazer uso de entorpecentes - e de lá não saiu mais. “Vem muita gente aí. Uns para pescar e outros para usar drogas”, disse um balconista vizinho ao local, que preferiu se manter no anonimato.
Em janeiro de 2007, o “piscinão” por pouco não foi palco de uma tragédia. O garoto Gabriel foi salvo pela mãe, a dona de casa Márcia Jerônima Campos, que sem saber nadar o tirou do poço de quase dez metros de profundidade.
Após o ocorrido, a providência tomada pelos responsáveis foi tapar o poço com uma grade e cercar o local com alambrado. Há nove meses, a Habitat Imobiliária e Construtora, responsável pela obra, anunciou que a retomaria e entregaria o prédio de 14 andares até 2012.
Antônio Carlos Martins Ribeiro, da Habitat, disse ontem que o plano se mantém, mas não foi possível executá-lo neste ano. “Estamos em negociação com antigos condôminos e tentando arrumar novos parceiros. Era para ter acontecido, mas vai ficar para fevereiro (de 2009)”, disse.
Questionado sobre a presença de adolescentes e os perigos que o lugar representa, Antônio Carlos reconheceu o problema. “Outro dia chamei a polícia porque encontrei um garoto de 11 anos dormindo lá. Além disso, temos a invasão por usuários de drogas, que é um problema social”.
A Prefeitura alega que o local é fiscalizado e que as notificações para limpeza do local têm sido atendidas pela imobiliária.
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