Pelo menos outros 107 menores, entre 7 e 16 anos, foram “flagrados” trabalhando na cidade. Hoje vivem outra realidade, pois estão inseridos no Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e, ao lado dos familiares, são acompanhados pela Secretaria de Ação Social.
Em 2004, durante um ano, SO, com 10 anos à época, e o irmão DO, quatro anos mais velho, saíam de casa todos os dias cedo para recolher latinhas, garrafas e papelão. Os dois moravam no Jardim Petráglia e percorriam, cada um para um lado, toda a região.
Permaneciam nas ruas por cerca de duas horas e meia e depois vendiam o que catavam para ajudar no sustento dos pais e mais dois irmãos pequenos. A rotina dos jovens, hoje com 14 e 18 anos, começou a mudar em 2005, quando foram inseridos no Peti e passaram a receber bolsa do governo.
Além de deixar as ruas, evitar o sol e cansaço do trabalho, SO, aluna da 8ª série, começou a praticar esportes. Hoje, continua acordando cedo, por volta das 7 horas, duas vezes por semana, mas é para jogar vôlei, em aulas gratuitas. “Foi muito bom parar de trabalhar. Eu tinha muita vergonha de estar na rua, catando as coisas. Agora faço vôlei, fiz várias amizades”. Todas as crianças beneficiadas pelo Peti fazem atividades complementares no período contrário ao escolar. Além de basquete e vôlei, há aulas de natação, artesanato, capoeira, fanfarra, dança e passeios culturais.
DO, irmão dela, completou 18 anos e conseguiu emprego num depósito de sucatas. A mãe deles é dona de casa e o pai, que é servente, está desempregado. “Recebemos R$ 122 de bolsa, o que ajuda muito a pagar as contas, comprar mistura, além dos materiais da escola”, disse CC, 40. “Não sabia que era proibido o trabalho para eles. Ficava preocupada, mas precisava da renda que conseguiam para sustentar a casa”.
A família da manicure MS, 36, também já viveu a situação de ter crianças trabalhando. Até 2004, ela e os quatro filhos, hoje com 17, 12, 8 e 7 anos, percorriam as ruas para recolher recicláveis. As crianças sofriam. “A gente passava três horas na rua, no sol e os meninos sempre chegavam exaustos. Eles me ajudavam”, disse.
Eles conseguiam R$ 150 por mês com a venda dos recicláveis. Hoje, inseridos no Peti, recebem R$ 122 do governo e não precisam enfrentar as ruas. A partir do contato com a Prefeitura, MS fez cursos e aprendeu outra profissão. É manicure, trabalha em casa, ao lado dos filhos, e consegue R$ 200 por mês. “É muito bom ter emprego e poder cuidar melhor das crianças e dentro de casa”.
O PROGRAMA
O Peti é destinado a crianças e adolescentes até 16 anos, com renda familiar per capita de até R$ 120. Os beneficiados devem permanecer estudando e deixar o trabalho para receber a bolsa, além de fazer as atividades complementares. Desde 2005, o Peti foi integrado ao programa Bolsa Família. Os contemplados recebem entre R$ 20 e R$ 182 por mês.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.