Nossa máquina


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Tudo o que você faz, vê, ouve, sente, pensa... Absolutamente tudo passa pela sua cabeça. Literalmente! Até o que você não gosta, não quer e não planeja, como o funcionamento de seu intestino, o ritmo das batidas de seu coração, o medo, a lembrança de sua sogra ou o gosto de jiló. Nada acontece com você sem que seu cérebro participe de algum jeito. Aquela forma enrugada, com consistência de gelatina e que pesa menos de 1,5 kg é o órgão que controla todas as funções orgânicas e psíquicas do nosso corpo. Esse gigantesco trabalho é distribuído por regiões específicas do cérebro. Basicamente, sua “cachola” conta com cerca de 100 bilhões de células nervosas, chamadas neurônios, para funcionar. A coisa é mais ou menos assim: quando você ouve alguma coisa, seu aparelho auditivo transforma os sons em estímulos nervosos, única linguagem que sua cabeça entende. A informação é recebida e passada adiante por neurônios especialistas até chegar à região central do cérebro, que, nesse caso, é a que controla a função da audição. Mas os neurônios não ficam correndo de um lado para o outro. Eles estão bem próximos e se comunicam através de impulsos elétricos. Esses impulsos são levados através de pontes formadas por substâncias químicas conhecidas como neurotransmissores. Quando a informação chega ao local certo, é decodificada e outras regiões do cérebro são ativadas para que você reconheça o som e compreenda seu significado. Deu para perceber que uma região nunca atua sozinha? Na verdade, os neurônios formam uma intrincada rede para transmissão e processamento de informações. O exemplo aqui foi a audição, porém isso acontece com todos os sentidos, pensamentos, emoções, etc. SEM ELE É impossível viver sem que pelo menos uma pequena parte do cérebro funcione. Legalmente, a morte cerebral acontece quando todo o cérebro, incluindo o tronco cerebral, perde irreversivelmente todas as suas funções. Isso é verificado pelos médicos de acordo com reações do paciente a estímulos externos. O cérebro de quem está em coma, por exemplo, reage em maior ou menor grau dependendo da gravidade do estado de saúde. Já nos pacientes com morte cerebral, não. Quando alguém sofre um acidente ou leva um tiro e perde mesmo que só um pedacinho de massa encefálica, os danos podem ser grandes e irreversíveis. Segundo o neurologista francano Alexandre Henrique Martori, mesmo utilizando apenas 10% de sua capacidade, o órgão deve permanecer inteiro para funcionar perfeitamente. “Os neurônios são formados até aproximadamente os 2 anos de idade, depois eles só se especializam. Quando uma pessoa perde parte do cérebro, perde os neurônios que desempenhavam determinadas funções. Para compensar a falta, neurônios que desempenhavam outras funções até tentam se adaptar às novas tarefas, mas nunca o farão com perfeição”, explicou o médico. EXEMPLOS O locutor esportivo Osmar Santos, 59, criador do inesquecível “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”, sofreu um grave acidente de carro em 1994. Ele teve a área de Broca (leia mais no quadro ao lado) destruída e consegue falar apenas 30 palavras, mas entende nitidamente tudo o que se fala. Osmar faz sessões freqüentes de fonoaudiologia. O objetivo é treinar outros neurônios para substituir os que foram destruídos na região da fala. O ator Flávio Silvino, 37, também perdeu parte do cérebro depois de ser vítima de um acidente de carro em 1993. Ele passou três meses e meio em coma, mas no ano seguinte começou a reaprender a andar e falar. Em 2000, atuou na novela Laços de Família. Em 1998, o ator Gérson Brenner levou um tiro na cabeça durante um assalto em uma rodovia paulista. A bala entrou pela testa, no lado esquerdo, e foi parar no couro cabeludo, acima da nuca. Gérson perdeu massa encefálica e ficou com o lado direito do corpo paralisado. O tiro afetou também sua fala, mas ele entende tudo o que se passa a seu redor. O ator faz tratamentos de fisioterapia, hidroterapia e equoterapia desde agosto de 2001.

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