A missão das Santas Casas


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O primeiro hospital da América Latina foi a Santa Casa de Santos, fundada em 1543, por Brás Cubas. Depois surgiram centenas de outros hospitais beneficentes que atendem a maior parte da população carente brasileira. A missão destas entidades é a misericórdia, como já preconizava Brás Cubas: “Casa de Deus aos homens, porta aberta ao mar”. Estas instituições seculares eram administradas por provedores, pessoas que dedicavam a elas tempo, além de bens. Naquela época, todo cidadão contribuía para sua Santa Casa. Era assim que as Misericórdias se mantinham. Os tempos mudaram. De colaboradores fiéis permaneceram apenas os provedores e demais voluntários, que atuam nas mesas administrativas e outros departamentos destas instituições privadas. É isso mesmo: as Santas Casas são entidades privadas, ao contrário do que muitos pensam. São entidades sem fins lucrativos, isentas de determinadas contribuições por destinarem, no mínimo, 60% dos seus serviços ao SUS. Estes hospitais são o braço direito da saúde. O setor responde por 1/3 dos leitos SUS no Brasil. Só no Estado de São Paulo, respondem por mais de 50% das internações pelo SUS. Ainda em São Paulo, estima-se que 81% destas entidades encontram-se no interior, onde em 56% dos casos são o único hospital do município, senão da região. Na DRS VIII, de Franca, a Santa Casa é o único hospital SUS para casos de alta complexidade, cobrindo demanda de 700 mil habitantes. Outro ponto desconhecido é o esforço do setor para manter sua missão. Estima-se que 90% dos hospitais filantrópicos atendem acima de 80% de sua capacidade pelo SUS, que paga mal, muito mal. Criado há 20 anos, o Sistema Único de Saúde cobre, em média, 60% dos custos reais dos procedimentos. Um parto normal, por exemplo, custa cerca de R$ 800,00, sendo que o SUS paga R$ 403,00 pelo mesmo procedimento. A saída para este impasse, a exemplo do passado, é a sociedade, que participa de campanhas para garantir, a ela mesma, serviços de saúde. As Santas Casas têm buscado ainda outros caminhos, como a abertura de planos de saúde, reconhecidos pela qualidade dos serviços prestados. Tal reconhecimento veio também da iniciativa privada. Parceiros, como a CPFL, investem no setor, que dá resultados. Programas direcionados à gestão já deram a cinco entidades das regiões de Piracicaba e Franca certificação de qualidade nos níveis ouro e prata. É disso que as Santas Casas e a saúde precisam: de apoio. Conceitos pejorativos, como “pilantropia”, não devem ser atribuídos a quem faz tanto pela população. Afinal, escândalos de corrupção atingem, infelizmente, o Poder Público e outros setores. É preciso separar o joio do trigo. José Reinaldo de Oliveira Junior Presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo

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