Escola de período integral


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Decepcionado. Foi assim que fiquei ao ler matéria neste Comércio, tratando da possibilidade da Escola Estadual “Luiz Páride Sinelli”, no Jardim Martins, não ter mais aulas em período integral em 2009. Decepcionado porque essa questão do “período integral” nas escolas é um dos grandes desafios colocados para a modernização (já muito atrasada) do ensino brasileiro. O que com dificuldades se conquistou não pode ser tirado, muito menos, retroagir. Escola em “período integral” significa cidadania no seu mais completo entendimento e prática. Nós só podemos sonhar, e realizar, a igualdade social quando todos os jovens tiverem as mesmas oportunidades de formação intelectual, cultural, profissional e social. Escola em “período integral” propicia aos filhos dos trabalhadores as mesmas oportunidades (desde que as escolas tenham, obviamente, qualidade) que hoje os filhos mais abastados da sociedade têm quando freqüentam escolas e cursos particulares pagos (artes, língua estrangeira, informática, esportes, etc.). Escola em “período integral” canaliza todas as ações sociais (como as de responsabilidade social das empresas) para um possível mesmo fim. Observamos, atualmente, que quase todas as entidades organizadas da sociedade atendem (com recursos humanos e materiais) a alguma iniciativa comunitária que visa, indiscutivelmente, preencher alguma lacuna deixada pela omissão do Estado. São programas ‘X’, ‘Y’ e ‘Z’ que sempre têm o objetivo de tirar(?) crianças e jovens da rua (muitas vezes só para não mais incomodarem). Isso mostra uma completa distorção do papel da sociedade no trato das suas crianças. A sociedade tem que ter objetivos claros e concretos. Se tivermos uma sociedade organizada, em torno de escolas em “período integral”, que realmente desenvolvam pedagogia, digamos, holística, completa no seu conteúdo, teremos uma sociedade pacífica, progressista, mais justa e feliz. Não tenho a menor dúvida quanto a isso. Certamente, não me iludo com resultados imediatos, mas me inspiro em experiências de décadas de países desenvolvidos. Causa-me estranheza a dirigente regional de ensino não ter uma postura contundente de defesa da escola do Jardim Martins. Pode-se propor, a exemplo., a utilização de espaços ociosos em outras escolas do Estado para abrigar as crianças que superlotam as escolas vizinhas do bairro. Qual a dificuldade em transportar os alunos para essas escolas? Aliás, recordo que quando fui secretário municipal de Educação, a própria dirigente regional instigava alguns pais, através da Rádio Hertz, a cobrar do prefeito transporte escolar para alunos que estavam aguardando a conclusão da construção de determinada escola e que precisavam, momentaneamente, estudar em outra escola um pouco mais afastada de suas casas. Vale ressaltar que a escola em questão era do Estado; portanto, não era de responsabilidade direta do prefeito disponibilizar transporte, mas, o prefeito Gilmar, mesmo assim, concedeu o ônibus. Para quem ainda duvida da importância da escola em “período integral” cito as Olimpíadas de Pequim. Foram distribuídas aproximadamente 928 medalhas e, dessas, 540 medalhas foram conquistadas pelos 10 primeiros colocados que, acreditem, têm suas escolas funcionando em “período integral” há décadas. Cassiano Pimentel Agente de Exportação e professor universitário

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