Por que não te callas, imprensa?


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Qual o verdadeiro papel da imprensa? Por que sempre que a imprensa avança o sinal da conveniência política alguém logo grita? Afinal de contas, por que é sempre tão difícil reconhecer na democracia brasileira o verdadeiro papel da imprensa? Num discurso inflamado no meio da semana, o presidente Lula tratou de ovacionar mais uma vez os feitos da política econômica do seu governo. O fez em referência ao espetacular crescimento do PIB do terceiro trimestre. Até aí nada de novo, até porque ninguém duvidava de que até setembro as coisas tinham ido bem na economia tupiniquim. O destaque fica para a observação de nosso presidente sobre o quanto a imprensa tem feito “propaganda da crise”. Não é a primeira vez e pelo jeito não será a última que teremos que ouvir que a crise é coisa criada pela imprensa. O argumento que beira a irresponsabilidade muitas vezes deixa uma sensação de que seria melhor se jornais e a televisão omitissem ou mesmo mentissem sobre o que está acontecendo no mundo, no País, no Estado, no município. Ninguém gosta de ouvir ou ler notícias ruins, mas nem por isso os fatos deixam de ocorrer. Se uma determinada fábrica demite em massa seus funcionários, não é de esperar que isso possa ser do interesse dos leitores do jornal? Se no mundo, países reconhecidamente consumidores de nossos produtos estão passando por dificuldades, não é salutar que a imprensa cumpra seu papel de informar a quantas anda a situação financeira de nosso cliente? Notícia é uma das coisas mais perecíveis que existem, portanto, se de uma hora para outra o mercado consegue mostrar-se fortalecido, e que não há o menor sinal de crise, as notícias mudam rapidamente e tudo caminha a passos largos. O grande problema é que muitas vezes discursos políticos são recheados de poucas verdades e muitas dissimulações e a persistência da crise tem tornado cada vez mais difícil fugir da verdade e dissimular com tanta freqüência. Eu prefiro que a imprensa noticie, dê dados, debata, convide especialistas, forme massa crítica sobre o tema e principalmente seja livre para revelar à sociedade o que de fato está acontecendo, mesmo que isso represente conseqüências como insegurança e retração dos índices econômicos. Afinal de contas se o mercado é tão poderoso assim e as políticas defendidas por nossos políticos são tão eficazes não há o que temer no papel de informar da imprensa. O problema é que muitas vezes o papel de informar contraria o poder de maquiar, de marquetar e aí então tem-se a nítida percepção de que alguém está pronto a gritar “por que não te callas, imprensa? ‘DELIRIUS POLITICUS’ Enquanto pelos lados da terra do calçado nada de novo circula no boca-a-boca do “delirius politicus”, ficamos com as notícias da disputa pela Presidência da República em 2010. Quem apostar todas as fichas em Serra e Dilma como únicos candidatos com chances de polarizar a pendenga pode se enganar. Por fora, parece correr forte o nome de Ciro Gomes. Algo que pode melar os planos de muita gente. DIA UNIVERSAL DO PALHAÇO Pelo calendário da datas comemorativas consultado pelo colunista, na última quarta-feira comemorou-se o Dia Universal do Palhaço. Uma justa homenagem ao eterno amigo da alegria e do bom humor. Pensando melhor uma justa homenagem também a muitos de nós que no dia-a-dia também têm momentos de nariz vermelho. NO TIMÃO DO PRESIDENTE Contratação de peso no time do coração do nosso presidente. A chegada de Ronaldo Fenômeno ao Timão deve de alguma forma ser usada em discursos oficiais do nosso guia. Não será surpresa se qualquer dia desses Lula disser que “nunca antes na história desse time tivemos um jogador de tamanho peso”. EM TEMPO Mais uma oportunidade perdida. No Dia Universal do Palhaço o Comitê de Política Econômica manteve a taxa básica de juros nos estratosféricos 13,75% ao ano, nada mais nada menos que a mais alta taxa do planeta. Na contramão do mundo, alguém que acredita em Papai Noel inviabiliza investimentos, sufoca ainda mais empresas em dificuldades e confirma a tese de que por aqui o importante é manter o lucro fácil. Alexandre H. Leonel Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br

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