Velório moderno


| Tempo de leitura: 4 min
O Brasil é um país tropical. É normal que as brasileiras utilizem roupas leves e refrescantes. É até saudável para a pele. Um biquinizinho na praia ou no clube, sem dúvida, cai muito bem. Todavia, cá entre nós, mostrar peitos e bundas, ou apertar as nádegas com calças que mostram até a menor das celulites num velório é algo meio inusitado. Não estou aqui sugerindo que as mulheres devam usar burca ou vestidos utilizados em alguns países do Oriente Médio, mas daí a passarem a explicitar as partes mais rechonchudas de seus corpos num velório, pega mal. Um pouco de classe e um traje sóbrio é sempre charmoso, harmônico e respeitoso. Pior ainda quando se reúnem num canto comentando os sapatos e bolsas de fulana, do cabelo de cicrana, de como engordou beltrana... Quando era menino tinha medo de ir a velório. Não por causa do defunto. É que os velórios de antigamente não eram como os de hoje. O que me agonizava, quando entrava na casa, além daquele cheiro de flores mortas adornando o defunto, era a gritaria das mulheres. No tempo da minha infância elas faziam escândalos assustadores. Gritavam clamando pelo fim do mundo, desmaiavam uma dúzia de vezes e nem com doses cavalares de soníferos se aquietavam. Na hora de tirar o defunto de dentro de casa, o show feminino chegava ao ápice. Agarravam-se ao caixão, queriam ser levadas junto com o morto e as pessoas mais equilibradas despendiam um esforço físico considerável para arrancá-las de perto do falecido. Os homens pegavam na alça do caixão. As mulheres gritavam. E todo mundo ia para a igreja. O enterro seguia a passos lentos, com o caixão no meio até a chegada ao cemitério. Depois do enterro, as mulheres se vestiam de preto, adquiriam uma seriedade indiscutível em todas as suas expressões e os homens pregavam tirinhas pretas no bolso da camisa. O luto. Torcia para que ninguém da minha família morresse para não ter que usar aquela tirinha preta. Hoje esses acontecimentos fúnebres se modernizaram. O morto é esquecido e o clima que prevalece é a alegria do reencontro de pessoas que não se viam há tempo... Conversas, risos, piadas, discussões políticas, desfile de moda, tudo, menos recolhimento e oração. Ninguém mais enterra ninguém levando o caixão pelas mãos. Todo mundo vai de carro. Além das peladonas de plantão, acontecem casos impressionantes nos velórios modernos. Essa semana fui ao velório de um tio. Surgiu ao meu lado um rapaz de camiseta cavada, com um saco de pipoca e passou a mastigá-la. Foi possível sentir na espinha a resistência do milho queimado sendo triturada por paredões de dentes inconvenientes que, obviamente, nunca se perguntaram quem foi que disse que pipoca combina com velório. Já ouvi casos engraçados sobre velórios e enterros que são fruto do desconforto que muitos sentem nestas ocasiões. Uma vez me contaram que uma pessoa foi falar com a viúva e ao invés de dizer “sinto muito” escapou um “parabéns”. Ouvi também sobre outra que mal conhecia o finado, chegou perto do caixão, olhou, olhou e deu dois beijos no morto, um em cada bochecha, como quem diz: “olá, tudo bem?”. Fica a impressão, nos dias de hoje, que velório é a maior demonstração do cinismo humano. Alguns até contratam músico para tocar as canções de apreço do falecido. Um verdadeiro show. Tem ainda uns apetitosos coffee breaks, como se o velório fosse mais um coquetel entre amigos. E o morto lá, estirado, solitário, “sentindo” o próprio adeus, já que os vivos estão preocupados com tudo, menos com ele. O tempo realmente é o senhor de todas as coisas. Não demora e vamos ver um trio elétrico descendo a avenida em homenagem ao falecido. Quem sabe, até um adeus pirotécnico. ASSIM NÃO DÁ “Aumenta a expectativa de vida do brasileiro”. - Eita! É já que mexem novamente na aposentadoria... BOLA DE CRISTAL Enquanto o presidente Lula ilude a imprensa com o nome de Dilma Roussef, candidata à Presidência nas próximas eleições, Antônio Palocci se prepara na surdina. Basta o ex-ministro da Fazenda livrar-se das acusações decorrentes do caso “o caseiro Francelino”. Quem viver verá... Podem me cobrar! NA FEIRA DA ESTAÇÃO... O feirante gritava: “Mamão, abacate, banana e casamento civil”. - Casamento civil, o que é isso? Pergunta o freguês. - Abacaxi! Vai levar? NEGATIVO Fico indignado quando compro alguma coisa em supermercado e sou forçado a embalar as compras. Mesmo desembolsando e gerando lucro, raríssimas vezes há algum funcionário para realizar esse serviço. Cheguei a questionar um caixa sobre a ausência dos embaladores e ele me respondeu: “há supermercado por aí que não têm nem a sacola”. POSITIVO Natal é tempo de pensar no irmão próximo e distante e de colaborar para o renascer do amor. A melhor mensagem nessa época é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura aqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida. É tempo de reflexão, de dar o presente do bem, o presente da solidariedade. PANO RÁPIDO Certo coronel do interior foi ao comércio comprar uma calça. O vendedor ofereceu-lhe modelo com zíper. Reação imediata: “Me respeite, seu cabra! Essa aí eu não compro de jeito nenhum”! - Mas por que, coronel? É uma calça tão bonita... - Olha... Compadre meu comprou um blusão com esse troço aí, o tal de zíper, e ele enganchou. Foi obrigado a cortar a gravata. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários