Franca tem a pior média salarial do Estado de SP


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Pelo terceiro ano consecutivo, a renda média do trabalhador da indústria de Franca é a pior entre as grandes cidades do Estado de São Paulo (com mais de 300 mil habitantes). Enquanto em municípios como Sorocaba, Guarulhos e Piracicaba, o rendimento médio do setor industrial varia de R$ 1.800 a R$ 1.900, na capital do calçado, o salário é menos da metade deste valor. Ganha-se, em média, R$ 852,08 nas indústrias da cidade, pouco mais de dois salários mínimos. A constatação tem como base o levantamento da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho, que leva em consideração o rendimento do trabalhador com carteira registrada no ano de 2007. Comparado ao ano de 2005, o salário médio do operário caiu R$ 2. Há dois anos, o rendimento era de R$ 854,77. O levantamento, além de realizar um comparativo entre as principais cidades paulistas, também mostra o salário médio de outros setores da economia. Nesta avaliação, o salário médio dos trabalhadores industriais de Franca só é maior que o dos trabalhadores da agropecuária, que ganham R$ 611. Entre os Estados brasileiros, o rendimento do operário francano também é menor que o da Bahia, do Acre, de Rondônia, Piauí e Ceará. Para o professor Aécio Flávio Lemos, estudioso de economia e recursos humanos, o excesso de mão-de-obra disponível para a indústria calçadista seria um dos motivos dos baixos salários. Ele diz que a cidade atrai muitos trabalhadores da região, principalmente de Minas Gerais, e o fato das fábricas exigirem pouca qualificação contribui para esse cenário. “O empresariado de Franca sempre prefere pagar o mínimo possível e, se há muitos trabalhadores, esse procedimento fica mais fácil”. Em Franca, segundo o próprio Ministério do Trabalho, 30 mil pessoas trabalham na indústria de transformação. Deste total, quase 90% estão empregados em micro e pequenas empresas. “Se a carga tributária fosse menor, as empresas teriam mais condições de pagar melhores salários. Mas como há muita concorrência e pouco ajuda, isso não é possível”, disse o presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Franca), José Carlos Brigagão do Couto. Brigagão disse ainda que a falta da exigência de tecnologia de ponta na produção do calçado e o baixo valor agregado do produto atrapalham as empresas na hora de oferecerem um salário maior. “É preciso exportar mais e fazer com que o governo abra mão de alguns impostos”. Na opinião do presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, uma das possíveis saídas seria a modernização das empresas e o estabelecimento de pisos salariais por função. “Algumas empresas aproveitam da situação de vida do trabalhador e oferecem um salário menor. No desespero, ele aceita. Precisamos acabar com isso e fazer com que o sapateiro de Franca receba mais”. Uma das formas apontadas pelo sindicalista seria o corte de despesas. “Os empresários precisam evitar desperdício para ter mais lucratividade e oferecer melhores salários”. No Sindicato dos Sapateiros, o piso salarial é de R$ 520.

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