Os últimos dias na faculdade estão terminando. É chegada a hora da decisão. O que fazer agora? Que rumo tomar? Continuar estudando ou ir atrás de emprego? Continuar na cidade onde estudou, voltar para casa ou se mudar de mala e cuia para um grande centro? São tantas dúvidas, tantas incertezas. Esse momento talvez seja o mais difícil. A decisão tomada agora influenciará em sua vida profissional para sempre. Em Franca, 3 mil estudantes de 30 cursos das quatro instituições de ensino superior de Franca vão se formar e sabem bem a responsabilidade que terão pela frente.
Michele Saltarelli, 23, passou os últimos anos viajando todos dias de Batatais a Franca para freqüentar o curso de Química Industrial na Unifran (Universidade de Franca). Ela se forma neste mês e está cheia de planos, mas não tem a menor idéia de qual deles seguir. Atualmente trabalha na faculdade com pesquisa científica. Com a formatura se aproximando, Michele tenta trilhar outros caminhos. Ela “sonha” em conseguir uma bolsa no Sapesp (Sindicato dos Profissionais do Estado de São Paulo) para a continuação do trabalho de conclusão de curso que encaminhou para a empresa. Ainda não obteve retorno.
Torce para que a resposta seja positiva. O projeto envolve materiais pesados usados em curtumes. “Se eu não conseguir esse trabalho vou tentar em usinas na região mesmo”.
As incertezas são tantas que Michele também pensa em fazer licenciatura para poder dar aulas na área ou quem sabe trabalhar em uma empresa ambiental. “Mas meu sonho mesmo é ter o meu trabalho reconhecido na minha área”.
Os planos de Liziane Marçal da Silva, 22, de Franca, estão cheios de “ou”. Seu sonho é ser reconhecida profissionalmente. Mas se os projetos não saírem conforme planeja, pensa em fazer mestrado “ou” doutorado “ou” tentar um estágio “ou” trabalhar em algum projeto ambiental relacionado ao seu projeto científico. Liziane se forma neste ano em engenharia química e é mais uma que não sabe muito o que fazer com o fim da faculdade. Esse momento para Liziane também não tem sido nada fácil. Por enquanto tentará emprego em Franca, mas se não conseguir.... “Se surgir oportunidade de emprego, me mudo para outra cidade”.
A psicóloga Mariana Jacintho Pucci, 28, qu atua na área há cinco anos, ainda se lembra de que, no início da carreira, não foi nada fácil ingressar no mercado de trabalho. Com essa experiência, Mariana dá dicas para quem está deixando a faculdade e não sabe muito bem que rumo tomar. “A primeira coisa a ser feita é preparar um currículo. Mesmo quem não tem experiência de trabalho deve fazer um currículo relatando onde estudou e os cursos que fez durante a faculdade. O ideal é marcar hora para entregá-lo. Desta forma, o formando pode, inclusive, conseguir conversar com o responsável pela empresa. Os cartões de visita também podem ajudar”.
Para Mariana, o recém-formado precisa persistir se quiser ingressar no mercado de trabalho. “É preciso ir atrás. Nada vai cair do céu. Até porque quem sai da faculdade não é conhecido e muitas vezes não conhece ninguém. Dependendo da área, é aconselhável fazer atendimentos gratuitos no começo até para mostrar para o cliente como é o trabalho”.
Quem tem condições financeiras para pagar um curso de especialização logo que sai da faculdade também pode ajudar. “Quem não tem dinheiro, pode até trabalhar em outra área para conseguir pagar o curso. Também é aconselhável tentar conseguir bolsas de estudos. No começo, o mercado de trabalho é ingrato. O retorno esperado pode demorar até cinco anos. O que não pode é desistir.”.
Colaborou Bárbara Borges
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