Muito se falou e escreveu, bem recentemente, sobre as condições de vida do negro no Brasil. Toda discussão veio à baila devido ao Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, que também foi decretado feriado municipal em vários municípios.
A própria lógica antropológica ou histórica faz com que o País possua hoje a segunda maior população negra do mundo. A face da Nação está estampada no povo, não há possibilidade de alterá-la, por mais que queiram camuflá-la.
A influência africana está enraizada na cultura brasileira e se faz presente no modo de viver de toda a população. Não só na língua, na dança, na alimentação, mas em vários outros costumes, o Brasil tem muito do continente africano convivendo aqui pacificamente.
Mesmo assim, os descendentes do povo da África encontram pela frente algumas barreiras para o desenvolvimento da própria cidadania. No entanto, para vários deles, em diversas áreas, não faltaram oportunidades para o crescimento individual e até coletivo.
Em 2004, o nome de Abdias Nascimento foi indicado ao prêmio Nobel da Paz. Trata-se de um cidadão do mundo, nascido em Franca, em 1914. Andou descalço pelas ruas da cidade, fez contabilidade no antigo Ateneu.
Numa época em que nem se pensava em cota racial, ele estudou em universidades públicas brasileiras e internacionais. Foi deputado federal (o primeiro a lutar pela causa anti-racista), senador e secretário de Estado. Homem de vasta cultura, nunca se esqueceu da cidade em que nasceu, mas é pouco lembrado por aqui.
Nas palavras de Abdias Nascimento, “muitos afro-brasileiros internalizam os preconceitos antiafricanos entre si”. Essa negação da própria cor torna-se perceptível justamente naqueles que se deram bem financeiramente. Aliás, preconceito no Brasil existe contra o pobre em geral, seja ele de que raça for. Aí, sim, o cerceamento se faz evidente.
A falta de dinheiro (por sinal cada vez mais presente nestes tempos de deflação), a pobreza em si, representa segregação para qualquer pessoa. A sociedade valoriza o ter. Não importa a cor de quem tenha. A discriminação ocorre somente quanto ao teor econômico. O resto não passa de retórica.
Em sendo assim, está mais que passado da hora de o brasileiro rasgar o rótulo da segregação em todos os sentidos. O ideal seria oferecer cidadania para toda a população. O começo disso passa necessariamente pela educação de qualidade. Somente esse fator pode transformar qualquer povo ou sociedade.
A discriminação, não importa qual seja, nunca gerou progresso. O homem (enquanto ser humano, a mulher também está junto!) é um só em qualquer parte do mundo. Seja ele rico ou pobre e tenha a cor de pele que tiver, ele mais chora do que ri. É mesquinho ou egoísta em todo lugar. Por isso e muito mais, quase nunca chega a ser feliz, a ter uma vida plena.
A bandeira a ser levantada deve ser a de mudanças para uma vida melhor. Para todos!
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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