Skaf prevê ‘crescimento nulo’ para a indústria


| Tempo de leitura: 2 min
O início de ano para a indústria paulista não será nada animador. O recado foi passado ontem de manhã pelo presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, em entrevista coletiva. Mais pelo comedimento pessoal que pelas projeções apresentadas, Skaf disse que espera crescimento nulo para o primeiro trimestre de 2009. A coletiva aconteceu na sede da Fiesp, na Avenida Paulista, em São Paulo. Dela participaram toda a diretoria da entidade e jornalistas dos principais veículos do País. Skaf abriu o evento fazendo considerações sobre a crise econômica mundial, tema que dominou toda a coletiva. Segundo ele, empresários e industriais de todo o Brasil trabalham com duas realidades absolutamente opostas: a que havia até o dia 30 de setembro e a que veio depois, com a derrubada dos mercados em praticamente todos os países. “O Brasil até que vinha bem, com suas contas equilibradas. Vínhamos em uma curva ascendente de crescimento, com seguidos superávits. Não tínhamos excesso de crédito, mas não existia escassez”, disse o presidente da Fiesp. “Do início de outubro para cá, no entanto, é outro panorama. O crescimento de novembro será negativo e a nossa perspectiva é de que não haverá crescimento neste trimestre que fecha o ano”, disse. Diante da indefinição do mercado, com a volatilidade da economia, Skaf disse a única previsão que pode fazer é que os próximos períodos serão difíceis. Para ele, 2008 deixará saudades. Antes de abrir espaço para as perguntas dos jornalistas, Paulo Skaf mostrou os resultados inéditos de uma pesquisa realizada com 1.200 industriais em todo o Estado de São Paulo. Entre outros números apontados, apesar da crise, 36% dos empresários acreditam que não haverá recessão no ano que vem. “Não podemos manter um otimismo enganoso nem um pessimismo desastroso”, disse. Em sua avaliação, não se pode falar em período recessivo, muito menos em depressão, a despeito do que sugere o panorama em diversos países, porque ainda não se conhece a dimensão da atual crise. “Veja, estamos falando de algo que tem dois meses. Quem, no final de setembro, poderia dizer que o real desvalorizaria tanto e estaríamos nesta situação?”, questionou Skaf. CALÇADOS A indefinição em torno da estabilidade do real frente ao dólar e quais as perspectivas para a crise global econômica devem limitar qualquer atuação das entidades que representam o setor industrial no Estado de São Paulo. Especialmente aos calçadistas de Franca, o presidente da Fiesp pediu calma. De acordo com Paulo Skaf, não é a melhor hora para fazer prognósticos. Questionado sobre como um setor industrial como o calçadista poderá se manter com a falta de crédito internacional e possibilidade real de quedas nos pedidos e ausência de demanda para os produtos, Skaf só disse que é hora de mostrar paciência. “Os empresários de Franca vão ter que esperar um pouco mais para saber como lidar com essa situação. Assim como outros setores, os fabricantes de calçados também estão sofrendo com a queda do consumo. Não é um fato isolado”, disse.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários