Quem esteve no canteiro central da Avenida Chico Júlio, em frente ao Parque “Fernando Costa”, na manhã de ontem, se deparou com um cenário diferente do habitual. O feirão de veículos que funcionava no local deixou de existir. Em vez das dezenas de carros e motos que permaneciam ali à espera de compradores, só se via um grande espaço vazio.
A determinação de impedir o uso da área por comerciantes de veículos foi dada pelo Ministério Público e cumprida à risca pela Guarda Civil Municipal, que cercou o canteiro com correntes e pneus. Apenas os comerciantes de alimentos que assinaram o TAC (Termo de Ajuste de Conduta) para permanecer provisoriamente na área até abril do ano que vem puderam manter suas atividades.
Ainda assim, sem ter para quem oferecer seus produtos. Já no começo da manhã, a queda no movimento era estimada em mais de 50% e a chiadeira era geral.
Segundo eles, os poucos comerciantes de veículos que passaram pelas proximidades sequer tentaram parar. Além do bloqueio da área, uma viatura da GCM permanecia de plantão dentro do estacionamento.
Revoltados, os vendedores de alimentos e bebidas chegaram a cercar o chefe da Divisão Municipal de Fiscalização, Ismael Antônio Xavier Filho, que esteve no estacionamento para averiguar a situação. Eles reclamavam da falta de clientes, que dificulta não só o seu sustento, como o pagamento do acordo com o MP.
“Nós dependemos do público que freqüenta o feirão. Sem ele, corremos o risco de não ter como pagar esse acordo porque, a partir de hoje, não temos a mesma clientela de quando assinamos”, disse Fábio Messias Ávila, comerciante que atua na área há cerca de seis anos.
“Franca não precisa de um xerife. Precisa de alguém que tenha a sensibilidade de conversar com o povo. Franca é mais do que apenas um prefeito”, criticou Flávio Roberto Campos, ambulante que exibia um carnê do ISS (Imposto Sobre Serviços) e licença da Prefeitura.
Manoel Geraldo Martins, aposentado de 73 anos, que tinha atendido apenas um cliente em sua barraca de caldo-de-cana, disse que perdeu seu principal sustento. “Do jeito que vai não vou nem ter como pagar o promotor”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.