Sem emprego fixo de contadora, a hoje artesã de enxovais bordados Celina Ferrete Rosa, 63, diz estar bem no trabalho informal. Ela trabalha numa barraca de camelô da Praça Dom Pedro I (Itaú), no Centro de Franca, e não pensa em formalizar o negócio.
Um dos motivos é o alto custo para manter uma loja e possíveis funcionários. “Pensei duas vezes em montar uma loja, cheguei a alugar ponto, mas desisti. As vendas em Franca são muito irregulares. Se o calçado está em crise, minhas vendas também caem. Como posso assumir esta responsabilidade?”, disse.
Para ela, o fato de poder ser a patroa, de ter conquistado clientes e estabilizado seu artesanato também contribuíram para continuar como está. “O que eu vendo dá para viver bem”. Celina diz vender, em média, de 30 a 50 peças por dia.
Opinião semelhante sobre a informalidade tem o vendedor Maurício Bezerra de Araújo, 29. Cansado da instabilidade na fábrica de calçados onde trabalhou por nove anos, há seis, ele optou por vender artigos esportivos no camelódromo, ao lado da irmã, também vítima do desemprego na indústria calçadista. “Se houvesse empresas mais fortes, com mais empregos, tenho certeza que a informalidade diminuiria”.
Recentemente, ele concluiu a faculdade de matemática com o salário de camelô e agora pensa em prestar concurso. “O que quero é um trabalho estável, que me dê condições de fazer planos”.
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