‘Vesti o maiô por Franca’


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normal - Atualmente, Elisa se dedica à casa e à família. Garante que não faz esforço para se manter bela e que sua preocupação maior é com a saúde. Agora, ela afirma querer apenas privacidade
normal - Atualmente, Elisa se dedica à casa e à família. Garante que não faz esforço para se manter bela e que sua preocupação maior é com a saúde. Agora, ela afirma querer apenas privacidade
<p>Quando a revista Franca 184 Anos chegou às bancas no último fim de semana, não houve quem ficasse imune ao charme da mulher estampada na capa. Para quem a conhece, Elisa Mielli Gosuen Pera, despertou lembranças. Entre os mais jovens, a curiosidade. Esta semana, ela recebeu a reportagem do Comércio em sua casa. Sentada no sofá da elegante sala de estar, aquela que carrega o título de mulher mais bonita da história de Franca, se mostrou também uma das mais simpáticas.</p><p><br />Sempre sorridente, Elisa estendeu a conversa por mais de duas horas. No início, pareceu hesitante quanto à entrevista e fez questão de evitar perguntas e respostas que expusessem demais sua vida pessoal. “Já sofri muito esse tipo de exposição e decidi que não quero mais. Sei que as pessoas compreenderão”, disse. Explicou que, como filha do ex-prefeito de Franca e também ex-deputado estadual, Onofre Gosuen, esteve sob os holofotes da mídia desde os 2 anos de idade. Diz nunca ter planejado uma carreira de modelo, pois seu sonho sempre foi se casar e cuidar da família e afirma já ter sido convidada a seguir carreira política.</p><p> Ao final, escolheu a carreira de artista plástica e formou-se na Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto). Atualmente, casada e com dois filhos já adultos, a ex-miss planeja abrir um ateliê para trabalhar e expor suas esculturas em pedra.<br />A respeito dos concursos e de sua atuação como modelo, Elisa diz ter apenas contado com a sorte de ser uma bela jovem em uma cidade de pujante desenvolvimento. De acordo com ela, havia uma cumplicidade, um orgulho de ser francano, que já não se encontra facilmente. Lembrou com carinho das pessoas que a acompanharam e da paixão que a movia todas as vezes que representava Franca. Especificamente do Miss São Paulo, que disputou em 1973, ela contou que apenas ao chegar à capital pôde perceber como o grupo francano era amador frente às demais delegações. A seguir, descubra os segredos da mulher que, 35 anos após ter sido a segunda colocada no Miss São Paulo, ainda se mantém bela.</p><p> </p><p><strong>Comércio da Franca - O que mais marcou a sua juventude?<br />Elisa Mielli Gosuen Pera -</strong> O momento mais forte foi quando eu saí, vesti o maiô por Franca, tipo assim: “Estou defendendo a minha cidade”, e fui para São Paulo. Você não imagina como eu tremi. E não era só a perna não. Até o sorriso era tremido!<br /><br /><strong>Comércio - O que mais você lembra da época em que você ficou conhecida como a mulher mais bela de Franca?<br />Elisa -</strong> Eu participei da história da cidade desde os 2 anos de idade. Na época, meu pai, Onofre Gosuen, era prefeito de Franca e depois foi deputado. Como eu estava sempre ao lado dele, tive de conviver com a mídia. Eu fiz até a oitava série no Colégio de Lourdes, depois fui para a EETC (Escola Estadual “Torquato Caleiro”). Lá, conheci uma pessoa fantástica que dava aula de Educação Moral e Cívica, Lúcia Ceraso. Ela fazia o que chamava de: Uma Hora em Comunhão com a Pátria. Ela pegava as “belezoquinhas” da EETC, cada uma com um traje típico representando um Estado brasileiro, e levava essa apresentação para toda a região. E foi a partir daí, quando eu tinha 14 anos, que começaram os desfiles.  Nesse mesmo ano, fui debutante em um baile do Lions e, logo em seguida, participei do concurso Embaixatriz do Turismo. Mas como eu era muito nova, meu pai não deixou eu ir até a final, que seria realizada em Santos.<br /><br /><strong>Comércio - Mas ele não impediu que você disputasse outros concursos...<br />Elisa -</strong> Eu tive uma criação muito rígida, muito presa. Mas como todos esses eventos eram ligados à participação da cidade, ele não se importava. Eu estava sempre com a colunista Patrícia e com o Edson Fernandes, participando também de muitos desfiles beneficentes. <br /><br /><strong>Comércio - E como veio o convite para você disputar o Miss São Paulo?<br />Elisa - </strong>Em 1973, quando entrei na faculdade em Ribeirão Preto, Franca vivia um momento muito bom, de crescimento da indústria. E eu estava ali, naquele momento. Era Rainha da Francal... Parece que tudo acontecia naquela hora. Nós éramos muito amadores, no entanto tínhamos muito amor à cidade. Todos os francanos queriam que a cidade crescesse, fosse bem. Mas o convite para o Miss São Paulo veio até de forma engraçada. Eu estudava artes plásticas na Unaerp e eles me convidaram para representar a universidade no concurso Miss Ribeirão Preto. Quando falei com o pessoal de Franca, eles ficaram uma fera. Eu ainda tinha 17 anos, mas eles deram um jeito e eu participei do Miss Franca, ganhei e fui para São Paulo.<br /><br /><strong>Comércio - E o concurso foi o que você esperava?<br />Elisa -</strong> A receptividade foi muito boa. As candidatas passavam uma semana lá, acompanhadas apenas pelas mães. Nós íamos a diversos jornais... Bom, eu terminei em segundo lugar e fiquei com o título de Miss Interior Paulista. Depois, a representante de Sorocaba foi disputar e ganhou o título de Miss Brasil. Como ela não podia acumular os dois, eu seria coroada, então Miss São Paulo.</p><p><br /><strong>Comércio - Mas você não chegou a ser Miss São Paulo. O que aconteceu?<br />Elisa -</strong> Meu pai fez com que eu devolvesse a faixa de Miss Interior porque aconteceram coisas que nos fizeram deixar de acreditar no concurso. E aí, a que ficou em terceiro lugar, que era a concorrente de Santos, assumiu como Miss São Paulo. Todo mundo achava que eu é que tinha que ganhar, mas eu já  considerava o máximo ter ficado em segundo lugar. Eu só penso que fomos muito amadores. Você imagina: o sapateiro fez o sapato de graça. E também a costureira, a bordadeira, a loja... Foi um trabalho coletivo, a participação de uma sociedade. E nós achávamos que todas as outras candidatas também tinham isso. E não era. A que ganhou, Miss Sorocaba, apareceu com um vestido deslumbrante feito pelo Clodovil Hernandez, na época. Nós não tínhamos cacife para isso!<br /><br /><strong>Comércio - Você sabe por que foi escolhida?<br />Elisa -</strong> Não. Na vida a gente precisa de diversos elementos, um deles é a sorte. Não sei... Acho que eu estava na hora certa e no lugar certo. Franca sempre foi considerada um “celeiro de mulheres bonitas”. Franca tem muita mulher bonita, sempre teve. Misses bonitas também. Só que eu estava naquela hora de crescimento da cidade, de pujança...<br /><br /><strong>Comércio - Mesmo depois de casada você continuou a circular bem na sociedade francana, quando você decidiu se afastar?<br />Elisa -</strong> O casamento não trouxe nenhum entrave para mim. O afastamento veio com o amadurecimento. Não foi repentino. Foi acontecendo, você vai sendo mais dona de você, das suas escolhas e sente que tem mais firmeza para fazer escolhas. As coisas  começaram a me incomodar, vi que pagava um preço excessivo pela exposição e isso começa a interferir na minha vida pessoal também. Aí, comecei a me afastar.<br />Eu adoro ficar na minha casa. Curto plantas, paisagismo. Gosto muito de São Paulo, de toda a parte cultural da cidade. Eu deixei passar muito tempo, mas nunca é tarde para montar meu ateliê, para as minhas esculturas... Então para quem viu minha foto na capa da Revista Franca 184 Anos, publicada pelo Comércio no aniversário da cidade: eu procuro estar bem, em paz.<br /><br /><strong>Comércio - Por que você não continuou a carreira como modelo?<br />Elisa -</strong> Eu nunca tive essa ilusão, como essas meninas que hoje fazem books para tentar desfilar, nunca foi a minha praia. Nunca quis seguir carreira. Fazia aquilo imbuída de outro intuito. Não era para eu me promover, seguir carreira, nada disso. Era pela cidade...<br /><br /><strong>Comércio - Se você pudesse voltar no tempo, faria diferente?<br />Elisa -</strong> Acho que não. Como esse nunca foi meu intuito... Eu sempre quis ter família, minha casa, meus filhos. E eu acho que toda mulher quer casar. É uma coisa muito feminina.<br /><br /><strong>Comércio - Nunca passou pela sua cabeça seguir uma carreira política, como seu pai?<br />Elisa -</strong> Pensei muitas vezes nisso. E fui procurada muitas vezes. Meu pai tem uma biblioteca muito boa e eu li muito sobre os grandes estadistas. Nós acompanhamos muito a política nacional. Eu gosto. Mas tudo que foi acontecendo politicamente através dos anos, me deixava decepcionada. Ver no que tinha se transformado tudo aquilo que a gente falou sobre uma época bonita na qual as pessoas tinham amor a Franca. Apesar de você ainda acreditar nas pessoas, elas mentem. E cada dia elas enganam mais. Talvez por isso a educação não receba verbas, elas vazam por outros lugares! Pessoas bem instruídas vão reivindicar trabalho, saúde, tudo.<br /><br /><strong>Comércio - Você já sentiu algum tipo de preconceito por ser bonita?<br />Elisa -</strong> Não. Quanto a minha capacidade, quem me conhecia não subestimava minha inteligência.<br /><br /><strong>Comércio - Qual é o segredo de sua beleza quando jovem e agora?<br />Elisa - </strong>O que eu vou falar... (risos) Não tem segredo. Eu sou vaidosa, mas apenas relativamente... (mais risos) Academia, eu começo e logo paro. Caminhada, paro. Alguns creminhos e tal. É óbvio que às vezes eu faço alguns tratamentos, mas não tenho excesso de vaidade.<br /><br /><strong>Comércio - Como é para você, que sempre teve uma beleza marcante, envelhecer?<br />Elisa - </strong>A única coisa que para mim é complicado, é ficar doente, é ter uma velhice sem qualidade. Sei, por exemplo, que eu tenho que voltar para a academia porque isso é importante para o meu futuro. Quanto à aparência, como eu não sou uma pessoa extremamente vaidosa, isso não mexe muito comigo. Eu sou uma pessoa normal. A história de ser a mulher mais bela de Franca não mexeu com a minha cabeça. <br /><br /><strong>Comércio - Já fez alguma plástica?<br />Elisa -</strong> Não. Não fiz ainda. Não sei, pode ser que daqui a pouco eu resolva que tem alguma coisa me incomodando...<br /><br /><strong>Comércio - O que você planeja para o futuro?<br />Elisa -</strong> Tenho milhões de planos. Sou uma sonhadora e tenho um pouco da ilusão das crianças dentro de mim. Porque senão, se a gente pára de sonhar, a gente morre.<br /><strong><br />Comércio - Como foi a repercussão da publicação de sua foto na revista Franca 184 Anos, publicada pelo Comércio em comemoração ao aniversário da cidade?<br />Elisa - </strong>Eu estou até sem graça, porque foi muito boa. As pessoas têm me parado na rua e falam: “Nossa... Você estava na revista!”. E mesmo as minhas amigas me ligando. Foi muito legal.<br /></p>

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