Às vezes fico pensando nas delicadezas de Deus, que nada faz para exaltar o homem, mas sim para que cresça como servo, um de seus escolhidos. Ao longo desses últimos quatro anos, por vezes, ouvimos críticas ou comentários sobre a pessoa do “padre espanhol” (o pároco da Capelinha), fato para o qual nunca dei muita importância. Afinal, o povo gosta de falar mesmo. Soube depois de um texto divulgado ao conhecimento público, com alguns trechos que demonstravam certa repugnância, crítica violenta mesmo, a ele. Apesar do tom áspero e duro com que o analisaram, penso que isso foi muito bom. “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”. Apesar de ferir o coração desse servo de Deus – que, afinal de contas, também um ser humano e tem sentimentos – por certo o fez despertar para o desejo de melhorar sua conduta. Sendo um homem de Deus, sabe que o Pai só permite seja o que for, se acontecer para nosso crescimento. Pessoalmente, confesso que gosto muito de suas homilias, que são riquíssimas e, evidentemente, por ser estrangeiro, teve sim dificuldades de comunicação, mas soube vencer e, agora, o povo já o entende. Testemunhei seus esforços para melhor se expressar. Tudo me faz lembrar os idos dos anos 80, quando nossa Capelinha teve grande crescimento com a ajuda de padres espanhóis. O brilhante trabalho de evangelização que os mesmos fizeram em nossa paróquia e cidade, no Seminário de Filosofia, na fundação das CEBs e tantos outros projetos sociais. Recordo-me do querido frei José Luís Igea, que entre tantos trabalhos deixou-nos a Casa São Camilo de Lelis, que hoje socorre inúmeros irmãos enfermos. E de nosso também querido frei Xavier, hoje dom Xavier, bispo de Tianguá (CE). Quem não se lembra desse espanhol que, de tão vasto e rico trabalho social e evangelizador, mereceu o título de cidadão francano na época? Então, como entender os desígnios de Deus? Já que não entendo, agradeço profundamente ao bom Deus por suas vidas de doação e dedicação.
Mirinay Sandim Andrade
Franca - SP
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