A crise econômica mundial


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A humanidade assiste, perplexa, ao noticiário sobre os desastres econômicos que estão atormentando os dirigentes de todas as nações. Tal qual ocorrido em 1929, as reações têm sido as mais inesperadas. Naquela época houve suicídios, assassinatos, agressões e transformações que mudaram a face do mundo. Agora, o fenômeno se repete. Do ponto de vista religioso, quais as lições a tirar dos acontecimentos? Na nossa visão, dois são os ensinamentos principais: o primeiro, e mais evidente, é a necessidade de se focalizar a vida não apenas pelo prisma material. Da crise, podemos entender que há outros objetivos na vida. O dinheiro não é fim. É meio. E toda vez que focalizamos a vida apenas na posse, é necessário que venha a crise a fim de nos despertar. É como se fosse uma sacudidela para romper o torpor que vai tomando conta da sociedade; sociedade que tem meios de produção capazes de aniquilar a fome do mundo, e, no entanto, a cada segundo milhares morrem por absoluta falta de comida. Aí surge o segundo ensinamento: é preciso mudar o sistema econômico-financeiro vigente a fim de possibilitar a melhor distribuição da riqueza. O chamado capitalismo selvagem não mais resolve o problema do mundo. E o comunismo totalitarista resolve? Evidentemente que não. Diante deste dilema, como ficamos? O filósofo espiritualista Pietro Ubaldi, nos seus escritos, sugeria o surgimento de um sistema híbrido entre o capitalismo e o comunismo. Seria uma doutrina econômica que conciliasse a liberdade do capitalismo e a justiça do comunismo. Com a crise econômica está se vendo que as medidas que são tomadas aliviam a doença mas não resolvem o problema. Apenas adiam a necessidade de tomada radical de atitude. E a tomada radical de atitude é as nações adotarem o híbrido capitalismo/comunismo proposto por Pietro Ubaldi. E tal doutrina já existe há 2000 mil anos. É o cristianismo proposto por Cristo, mensageiro de Deus junto às misérias humanas. Afinal, o que propôs o Cristo senão a fraternidade como sistema de convivência humana? Sistema que não vê no próximo uma oportunidade de lucro, mas, um irmão a ser promovido. Sistema onde o forte ajuda o fraco, o rico ampara o pobre, o inteligente socorre o ignorante. Neste sistema, as nações se auto-ajudarão em virtude do entendimento de que o que afeta a um afeta a todos. Isto é o que devemos entender como verdadeira globalização. Somos todos ocupantes do mesmo barco. Viajamos na mesma nave. Não é possível ignorar o que se passa com o vizinho. A própria Internet está propondo uma maior aproximação entre todas as pessoas, diminuindo distâncias e procurando unir os povos. Mas, se o Cristo esteve na Terra há tanto tempo por que o Cristianismo não resolveu o problema do Mundo? Exatamente porque o que houve foi a adoção do Cristianismo como doutrina religiosa e não como prática diária de vida. Nunca se falou tanto de Cristo como agora mas o mundo continua sedento de Cristandade. Não a Cristandade do Cristo pregado, falado, mas a do Cristo vivido nos nossos atos. O Cristo que sai da cruz e vai ao encontro dos sofredores. O Cristo que governa os dirigentes e faz mudar a concepção de mundo. Já se houve falar, por aí, de dirigentes preocupados com o problema mundial. Não é a crise produzindo os seus frutos? Aliás, não disse o Cristo: ‘É necessário que venha o escândalo!...’ Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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