O ralo da bomba de filtragem de água da piscina onde o estudante Gabriel Antônio Posteraro Matias, 10, ficou preso na última quinta-feira, no Internacional Esporte Clube, estava há pelo menos um ano sem a grade de proteção. A informação foi passada por quatro adolescentes que estavam no clube na hora do incidente.
Dois deles tentaram tirar o garoto do fundo da piscina. Após o socorro, quando a reportagem chegou ao local, a grade - que é fixada por quatro borboletas - estava ao lado do ralo. Os responsáveis pelo clube foram procurados ontem durante toda a tarde, mas não foram localizados.
Um dos adolescentes, o estudante WS, 15, diz que chegou a se machucar por causa da falta da grade. “Treino lá faz um ano, mais ou menos. Ela (a grade) nunca esteve lá. Teve uma vez que eu até coloquei o pé lá e cortei. Eu nunca vi tampa lá”. Outro adolescente, BNS, 17, confirma a ausência da grade. “Fica só o buraco e o filtro chupando para baixo. Nunca teve grade lá para segurar mesmo”.
A falta da grade fez com que o braço de Gabriel fosse sugado pela bomba, que tem potência de 7,5 cavalos, que é semelhante à força de aproximadamente 562 quilos. “Ele só não foi para dentro da bomba porque o corpo não entrou, porque não passou. Entrou a mão, o antebraço, o cotovelo e parou na hora que entalou, que deu o diâmetro (do cano)”, disse o capitão Alexandre, do Corpo de Bombeiros.
De acordo com o capitão, a bomba tem que funcionar pelo menos seis horas por dia e não não haveria empecilho para que a piscina fosse usada, desde que a grade estivesse instalada.
Além da grade, a ausência de um guarda-vidas no clube também foi apontada pelos adolescentes. “É muito difícil ter (guarda-vidas).
Uma vez ou outra, no final de semana, que tinha alguém lá”, disse WS. Na quinta-feira, o gerente do clube, Luís Carlos Novato, ao ser questionado se havia guarda-vidas, disse à reportagem que “sempre tem um funcionário” no local.
Gabriel morreu na tarde de quinta-feira, quando se afogou após ficar preso no ralo do filtro da piscina. Ele acabara de sair da aula de natação, mas voltou para a água. Ao perceber que estava se afogando, colegas e freqüentadores do clube pularam na água para tentar salvá-lo, mas o menino só conseguiu ser retirado com a chegada do Corpo de Bombeiros, minutos depois. Gabriel morreu ao dar entrada no Hospital Unimed São Joaquim.
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VELÓRIO
Cerca de 200 pessoas estiveram ontem no salão da Igreja São Judas Tadeu para dar o último adeus a Gabriel. Os colegas e pa-rentes observavam - com os olhos marejados - o caixão branco onde o estudante da 3ª série da Escola “Barão de Franca” estava. O sepultamento ocorreu pouco depois das 14 horas, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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