Um garoto amoroso, estudioso, arteiro e alegre. Gabriel, de acordo com os familiares, era uma criança dócil, que adorava a natação e não saía do clube onde perdeu a vida. Palmeirense roxo, Gabriel era católico e freqüentava a Igreja São Judas Tadeu, onde participava da equipe de liturgia das missas para crianças. Há 15 dias ele havia feito a primeira comunhão.
O presente de Natal que iria ganhar da madrinha, uma bicicleta, havia sido pedido no dia nove de outubro, quando completou 10 anos. A madrinha, na ocasião, disse que não daria por causa do medo dela de que Gabriel se machucasse. Mas mudou de idéia e daria no Natal.
Aluno da 5ª série da Escola Estadual “David Carneiro Ewbank”, escola que começou a freqüentar neste ano, Gabriel, de acordo com sua tia, Hossana Posteraro, era o melhor aluno da sala. Antes, freqüentava a E.E. Barão da Franca, ambas na Vila Santos Dumont, bairro onde morava.
Seus pais já haviam passado pela amarga experiência de ter perdido um filho. Sua irmã, que ele não chegou a conhecer, morreu em 1991 por problemas cardíacos, com dez dias de idade. Após a perda da filha, a mãe de Gabriel teve mais dois filhos, ele e um menino que hoje tem 16 anos.
O pai de Gabriel, o ajudante-geral Antônio Gonçalves Matias, 54, estava desolado. “Na minha opinião, faltou alguma coisa lá (no clube). Deveria ter uma pessoa apta para esse tipo de coisa. Um segurança, um salva-vidas. Eu gostaria de procurar a Justiça para que não aconteça com o filho de outra pessoa o que aconteceu com o meu”, disse.
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