Ninguém sabe, ninguém viu


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Uma sociedade com os olhos no futuro certamente age no presente. Uma sociedade preocupada com o futuro dos frutos de seu ventre cuida da formação moral e ética de suas crianças e jovens. Infelizmente no Brasil - que há anos ouço ser o País do futuro - o presente é repleto de problemas e o futuro é incerto, pra não dizer sombrio. Eu não sei exatamente quando foi e nem por que isso ocorreu mas temos deixado a desejar, e muito, quando o assunto é formação moral e ética de nossos filhos e filhas. Dia desses um amigo me contava que seu filho havia sido presenteado pela mãe com uma jaqueta e como não podia ser diferente foi para a escola usando o presente. Ao chegar em casa de volta da aula, mãe e filho deram por falta da jaqueta que certamente havia sido esquecida na sala de aula. Seguros de que alguém pudesse ter encontrado a jaqueta e solidariamente guardado até que fosse requisitada pelo verdadeiro dono, mãe e filho retornaram mais tarde a escola em busca do objeto esquecido. Para surpresa e decepção de ambos, ninguém soube dar notícias do paradeiro da tal jaqueta. Professores, funcionários e até os colegas não tinham a menor noção do que podia ter acontecido. Indignado o pai do garoto me contava e questionava: “não é possível que ninguém viu a jaqueta! Não é possível que alguém chegue em casa com um objeto a-lheio e ninguém questione o que é aquilo, de onde veio, como conseguiu”. E ele tinha razão. Me lembrei então que nos meus idos tempos de escola se a gente chegava em casa com um lápis diferente no estojo a mãe já queira logo saber como havíamos conseguido aquilo, de quem era, etc. Imagina então se a gente chegasse com uma jaqueta novinha em folha. Fatos como o da jaqueta do filho do meu amigo colocam em xeque uma tese defendida por muitos, mas combatidas por alguns, como o colunista: educar uma nação, mais do que oferecer escola, é oferecer embasamento moral e ético em casa. Não pense você, prezado leitor, que o fato usado aqui como exemplo não se deu em uma escola de periferia onde as mazelas sócio-econômicas podem ser consideradas como as vilãs do desenvolvimento ético e moral do indivíduo. O filho do meu amigo estuda em uma escola particular de razoável nível sócio-econômico. O problema não parece estar no quanto se tem de recursos financeiros, mas no quanto se respeita o que pertence ao outro. Sem esse fundamento básico de vida em sociedade fica difícil pensar num futuro menos sombrio. Ou nos preocupamos em aprender e ensinar sobre respeito pelo outro, ou seremos solapados pelas conseqüências dessa omissão. DELIRIUS POLITICUS Semana interessante essa. Aécio Neves hospedou Fernando Henrique Cardoso no palácio do Governo de Minas Gerais. O hóspede foi gentil e massageou o ego do anfitrião. Como passarinho que voa com morcego dorme de cabeça pra baixo, tem gente achando que tudo não passou de um joguinho de cena. O COCÔ DO SEU CACHORRO É PROBLEMA SEU Muita gente acha bonito passear com o seu cãozinho de estimação. Nada de errado. O problema começa quando o tal bichinho resolve aliviar-se de suas fezes na calçada. Aí a coisa pega. Na modesta opinião do colunista, o cocô do cachorro é problema do dono e não da sociedade que é obrigada a desviar ou se limpar dos indesejados excrementos caninos. Portanto seria de bom modo que o homo sapiens levasse pra sua casa o cocô do seu cãozinho. Se for possível, é claro. E se ele for realmente sapiens. A FUMAÇA DO SEU CIGARRO É SUA. SÓ SUA. Como hoje o colunista está com o arreio virado para a barriga, aí vai mais uma notinha de coisas que tornam a vida civilizada em sociedade um desafio maior a cada dia. Fumar é um hábito nocivo à saúde tanto para o fumante quanto para os que convivem com ele. Uns sem-número de doenças respiratórias infantis, por exemplo, tem como causa o tabagismo de familiares. Portanto, fumantes inconseqüentes, a fumaça do seu cigarro é sua. Só sua. Então, faça-nos um favor: não fume em lugares públicos e nem próximo de nossas crianças. A CULPA É DO TERMÔMETRO Mais uma vez - diante das evidências do pior - alguém insiste em culpar o termômetro. A crise econômica mundial é uma realidade, e só não vê quem não quer. O momento é de cautela e, principalmente, de conscientização. Afinal de contas, pior que ter um problema é não reconhecer que ele existe e, portanto, não agir para resolvê-lo. Mas aqui no Brasil é sempre assim: quando algo dá errado a culpa é sempre da sociedade, da imprensa, nunca dos políticos e de suas políticas. E assim vai: o País arde em febre mas a culpa é do termômetro, mais uma vez. Alexandre H. Leonel Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br

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