Empresas de roupas e lingeries triplicam em 10 anos em Franca


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EM EXPANSÃO - Mulheres trabalham na linha de produção da Ahvaz Indústria de Confecção. Elas fazem parte do quadro de empregados do setor de confecção em Franca que cresceu de 112 para mais de 700 em
EM EXPANSÃO - Mulheres trabalham na linha de produção da Ahvaz Indústria de Confecção. Elas fazem parte do quadro de empregados do setor de confecção em Franca que cresceu de 112 para mais de 700 em
Enquanto as fábricas de calçados tentam se estruturar, levantamento inédito do Ceder (Centro de Estudos de Desenvolvimento Regional) da Unifran (Universidade de Franca) mostra que a indústria do vestuário em Franca vai muito bem, obrigado. Nos últimos dez anos, o número de estabelecimentos industriais e o de trabalhadores no setor sofreram um “boom”. De 33 empresas em 1998, saltou para 98 no ano passado, quase o triplo. Já o total de funcionários cresceu ainda mais, saiu de 112 para 765. Os dados são da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, e mostram que o crescimento aconteceu com maior intensidade nos últimos cinco anos. O estudo inclui além das fábricas de lingerie, outros tipos de confecção como uniformes, calças, camisetas e roupas em geral. Para Agnaldo Souza Barbosa, professor pesquisador e coordenador do Ceder, a indústria do vestuário começou a ganhar impulso num ano de retração do emprego no calçado e, a partir daí, não parou mais. “98 foi um ano de baixos índices de emprego na indústria calçadista. Isso motivou os sapateiros desempregados a buscar novos nichos e a indústria da moda foi um deles”. Barbosa disse que um dos principais fatores de favorecimento desse novo setor foi o aproveitamento da mão-de-obra, com algum conhecimento de costura, e a grande rotatividade do produto. Diferente de um sapato, sutiãs, cuecas, biquínis, sungas e pijamas têm maior saída em relação a vendas e custam bem menos. Com 20 anos de mercado a serem completados no próximo ano, a indústria de lingeries Frelith acompanhou de perto este crescimento. De dois funcionários no começo das operações, atualmente emprega 40, a maioria mulheres e muitas delas oriunda das fábricas de sapato. O motivo seria a facilidade para a costura e a delicadeza das mãos. “O começo foi bem informal. Minha mãe fazia as peças em casa e elas serviam como complemento do salário do meu pai que era cortador numa fábrica de calçados. Com o tempo, o serviço aumentou e o meu pai deixou o emprego para trabalhar com lingerie. O conhecimento em corte e modelagem ajudou no novo ramo e o mesmo acontece com algumas funcionárias”, disse Thaís Kelen, estilista da fábrica e filha dos proprietários. Na opinião de outro especialista da cidade, o professor de economia Hélio Braga Filho, a saturação das indústrias de calçados e o domínio de técnicas de fabricação ajudaram o setor de vestuário a se firmar em Franca. “É uma oportunidade nova, uma válvula de escape, onde não precisa grande investimento de capital e a durabilidade do produto final é mais curta, portanto tem maior saída”.

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