O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, era um dos espectadores mais atentos na palestra de ontem de manhã, no auditório do Grupo Corrêa Neves de Comunicação. Carregava na cabeça e na pasta os detalhes de seu planejamento estratégico para o setor para os próximos anos. Mais difícil, porém, que colocar o plano em prática, é congregar os mais de 1.500 pequenos, médios e grandes empresários em torno da idéia de que apenas a união poderá salvar o parque industrial de calçados em Franca.
Contraditoriamente à trajetória de quase cem anos dessa indústria, Brigagão disse, mais de uma vez, que o trabalho de conscientização do empresariado não acontece de um dia para o outro e que a tarefa “é de formiga”.
Perguntado se não seria um paradoxo falar que uma indústria centenária ainda não conseguiu encontrar um rumo e se moldar às necessidades do mercado enquanto assiste outras praças alcançando rápido desenvolvimento, Brigagão disse que é preciso ponderar que Franca ergueu suas indústrias do nada e que tal qual os calçadistas, outros setores da economia vivem de altos e baixos.
“Diferente de outras épocas, hoje é preciso planejar cada ação dentro da indústria. Mais que isso, é preciso que o empresário entenda que ele não sobreviverá sozinho. O parque calçadista é um conjunto”, disse o presidente do Sindifranca. “Como dirigente de uma entidade que reúne os empresários, eu estou na minha função de apontar caminhos. Todos precisam fazer sua parte, a começar pelo fabricante, mas passando também pelos governos local, estadual e federal”.
Se as direções são apontadas e todos dizem que os empresários estão cientes de que precisam adotar métodos mais modernos de administração, por que então a situação persiste diante de uma contínua perda de espaço das empresas francanas para outros pólos fabricantes? A resposta, aponta o presidente da Francal Feiras, Abdala Jamil Abdala, está na forma como este empresário encara o seu próprio negócio. “Temos consciência de nosso potencial, mas nos nivelamos por baixo”, disse Abdala. “É comum você encontrar empresário satisfeito com o baixo rendimento de sua fábrica, porque, na média, os seus vizinhos estão na mesma situação”.
Em contraponto ao que ele mesmo disse, Abdala reforçou que ao passo em que se destacam empresas que fecham e demitem é preciso destacar aquelas que são bem administradas e continuam sólidas no mercado. “Estamos falando de crise, mas tem muita empresa em boa situação, o que não deve servir de desculpa para não encher a ‘malinha’ e sair para mascatear por aí”.
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