Descobrir que você pode ser dono de uma conquista só depois de oito anos soa dolorido. E se o que é para ser conquistado se trata de uma medalha de ouro olímpica? A euforia aumenta. O velocista Edson Luciano, que vive em Franca desde fevereiro, e seus companheiros Claudinei Quirino, André Domingos e Vicente Lenílson estão nesta situação, depois que o americano Tim Montgomery reconheceu, em entrevista à HBO americana, ter corrido dopado os 4x100m em Sydney-2000.
Há um processo em andamento para rever o resultado final da prova que deu o ouro aos Estados Unidos, a prata ao Brasil e o bronze a Cuba. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) constituiu o advogado Sérgio Mazzillo para tentar trazer o primeiro lugar ao País. A CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) também acompanha a questão. Naquele ano, o País não conquistou nenhum ouro.
Por todo o problema gerado para a imagem do atletismo na principal competição do mundo e suas conseqüências para os outros atletas participantes da final daquela prova, o ex-atleta brasileiro defende punições severas a quem for pego por doping. "Deveria ser proibida a participação em Olimpíadas porque o sonho é rompido. Se isso acontecer, todos os atletas vão parar para pensar, antes de se dopar", afirmou.
Passado tanto tempo, Luciano defende ainda que a punição seja em forma de processo civil e até confisco de bens. Só isso forçaria os atletas a refletirem mais sobre o uso de substâncias proibidas.
"No nosso caso, que depois de oito anos o atleta vem falar que estava dopado, devia ser feito um processo civil contra ele. Para reivindicar valores de bens pessoais e ele sentir no bolso. Tirar a medalha vai dar vergonha, mas só isso não basta porque ele vai continuar usufruindo do dinheiro e dos bens que ele ganhou como reflexo da conquista olímpica", esclareceu.
O velocista, que trabalha em projetos voltados para jovens em Franca, explicou que o uso de substâncias proibidas é direcionado para que os competidores consigam conquistas que lhes renderão dinheiro. "Os atletas que fazem o uso de substância química proibida visam poder chegar nas Olimpíadas bem, bater recordes e ganhar milhões", detalhou. Os prêmios em dinheiro não são baixos para quem consegue ouros.
Maurice Greene, um dos integrantes da equipe ouro do revezamento 4x100m americana, recebeu proposta, em 2000, de US$ 500 mil apenas para participar de uma competição no Catar. Ele recusou. O time de ouro dos EUA em 2000 foi formado por Jonathan Drummond, Bernard Williams III, Brian Lewis e Greene. Montgomery correu uma das eliminatórias. A cassação da medalha por parte do COI (Comitê Olímpico Internacional) não tem data.
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