Cruz de Cristo


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Muitos cristãos legalistas vêem em alguns símbolos cristãos, como a cruz, uma imagem de adoração pagã ou objeto mágico, um amuleto ou talismã. Recitam tanto o Antigo Testamento que, incrivelmente, ignoram algumas passagens que demonstram claramente o uso de imagens por homens de Deus, como Moisés que, além de ter colocado imagens de querubins na Arca da Aliança, fez algo, a mando de Deus, que escandalizaria esses legalistas. E o próprio Isaías viu Deus como um homem (6,1-2): no ano da morte do rei Ozias, eu vi o Senhor sentado num trono muito elevado; as franjas de seu manto enchiam o templo. Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas. Como diz o próprio Cristo conforme o Evangelho de João (3,14): como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem. Essa clara referência a Moisés trata-se de Números (21,6-9): então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes.” Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida. Como diriam os legalistas, esse “ídolo” servia para curar, tinha poderes curativos, contra o envenenamento por serpentes. Assim também devemos entender Jesus: de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; porque não crê no nome do Filho único de Deus (Jo 3,15-18). Bem, ídolos são imagens de deuses. Assim, os querubins de Moisés não são ídolos mas imagens dos auxiliares de Deus. Assim, também o cajado de Moisés não tinha poderes mágicos, nem mesmo a Arca. Todo poder provém de Deus. Curiosamente, a Serpente de Bronze de Moisés existiu e permaneceu em Jerusalém por mais de 500 anos, até cerca do ano 700 a.C. conforme atesta a Bíblia: no terceiro ano do reinado de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, começou a reinar. Fez o que é bom aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai. Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. Chamavam-na Nehustã (2 Reis 18,1-4). Assim Cristo era tolerante, que nos sirva de exemplo para estabelecer um diálogo cristão. Mário Eugênio Saturno Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e congregado mariano. mariosaturno@uol.com.br

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