Empresas ligadas ao setor coureiro-calçadista de Franca foram as principais patrocinadoras da campanha do PSDB nas eleições municipais deste ano. Do total de R$ 340 mil gastos para reeleger o prefeito Sidnei Rocha e os vereadores do partido, R$ 67 mil foram doados pelo segmento. Ao todo, dez fábricas, curtumes, empresas de componentes e a Francal Feiras ficaram do lado do tucano que liderou todas as pesquisas eleitorais e se consagrou vitorioso com 110 mil votos. Os dados fazem parte da prestação oficial de contas apresentada pelos candidatos e comitês partidários à Justiça Eleitoral.
Além das empresas coureiro-calçadistas, outro grande financiador da campanha tucana foi o próprio Sidnei Rocha, que desembolsou R$ 69,3 mil. Outro apoio importante veio do secretariado do tucano. De acordo com a prestação feita à Justiça Eleitoral, seis dos oito secretários municipais e dois diretores de departamento foram responsáveis por doar R$ 37,4 mil. Sebastião Ananias, secretário de Finanças, foi o que mais contribuiu. Sozinho, doou R$ 10 mil. O líder do prefeito na Câmara, Jepy Pereira, também contribuiu com R$ 12 mil. Os demais recursos vieram de um grupo de 37 pessoas e outras empresas fora do ramo calçadista.
Na sua declaração pessoal, Sidnei revelou ter gasto apenas R$ 43 para abertura e encerramento da conta de campanha. Suas despesas foram registradas em nome do comitê do PSDB. A promotoria chegou a rejeitar as contas por duas vezes, mas a juíza eleitoral Márcia Christina Ferreira Bianco entendeu que a prestação de contas do comitê supriu os gastos da campanha do prefeito. Já as contas do partido ainda estão sob análise técnica.
Derrotado nas urnas, Gilson Pelizaro (PT) teve apoio de uma única empresa: a Gerdau Comercial de Aço. Dos R$ 230 mil que entraram na conta da campanha petista, R$ 50 mil saíram dos cofres da siderúrgica. Segundo colocado nas eleições, Pelizaro não recebeu doações de nenhuma empresa francana.
O diretório estadual do partido foi seu maior apoiador. Doou R$ 123 mil. Já o candidato depositou R$ 24,5 mil de recursos próprios. Os outros R$ 32,8 mil foram provenientes da doação de oito “companheiros” de partido. José Eduardo David, coordenador da campanha do PT, não soube explicar o porquê de as empresas de Franca não terem investido no partido. “Pedir nós pedimos”.
Procurado pelo Comércio, José Marcos Bertelli, coordenador da campanha do PSDB, não quis falar oficialmente sobre a prestação de contas do partido. Ele espera a análise técnica da Justiça.
A doação de empresas e pessoas físicas para financiar a campanha de políticos e partidos registrada legalmente é prevista na Lei Eleitoral.
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