Ladrões ‘limpam’ construções em Franca


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NO PREJUÍZO - O mestre de obras Carlos Alves dos Santos exibe contrato de locação dos 15 andaimes que foram furtados e o Boletim de Ocorrência, no qual denunciou o crime à polícia; ao fundo, a residência onde
NO PREJUÍZO - O mestre de obras Carlos Alves dos Santos exibe contrato de locação dos 15 andaimes que foram furtados e o Boletim de Ocorrência, no qual denunciou o crime à polícia; ao fundo, a residência onde
Os ladrões não têm dado folga aos donos de obras, locadores de equipamentos para construção civil e construtores em Franca. Os ataques ocorrem especialmente à noite e em fins de semana, quando os locais estão vazios e permitem que os crimes sejam cometidos sem grandes riscos. Em toda a cidade os casos são registrados, mas em bairros novos, onde o fluxo de pessoas é menor, as ações são mais comuns. Os marginais levam de tudo, desde pequenos materiais, como fios de cobre, a pesados motores de betoneiras. Os prejuízos são grandes. Três vítimas relatam à reportagem que, juntas, tiveram somente este ano mais de 300 objetos furtados. A polícia tem dificuldades para identificar os autores, pois normalmente os ataques são descobertos várias horas depois de acontecerem. A Polícia Civil não tem uma estatística específica para este tipo de delito - normalmente registrado junto com os outros furtos - mas de acordo com as vítimas ele é muito comum. Um exemplo disso é Gilmar José da Cruz, que loca equipamentos para obras. Somente este ano, ele teve seus equipamentos furtados em 40 oportunidades. Gilmar afirmou que os ladrões levam de tudo: ferramentas pequenas, cimento, motores de betoneiras, fiação elétrica e materiais de acabamento, como torneiras, pias e peças para sanitários. Em um dos furtos, sem ter o que levar, arrancaram azulejos ainda sem rejunte das paredes. O alvo principal alvo dos marginais são os andaimes. Somente da empresa de Gilmar, foram levadas 170 peças nos últimos cinco furtos - todos ocorridos em novembro. O prejuízo para quem aluga o andaime é de R$ 87 cada. Mas o empresário também perde dinheiro. “O locatário paga um preço estipulado em contrato, mas nós temos que comprar um equipamento novo, que chega a custar R$ 113. Todo mundo fica no prejuízo”. Como a responsabilidade pelo andaime é de quem aluga, as perdas não ficam somente na reposição das peças furtadas, mas afetam o próprio volume de negócios, já que a insegurança faz com que os donos de obras busquem soluções alternativas. “Ou os construtores deixam de alugar (os andaimes) ou substituem por madeira. Já tivemos casos que o cliente não ressarciu o que foi levado e devolveu o que ainda restava”. MAIS VÍTIMAS Bruno Diniz, que trabalha em outra empresa de locação de equipamentos para construção civil, afirmou que não há qualquer segurança. Bruno disse que, este ano, já teve mais de cem peças furtadas, entre motores de betoneira, fiações elétricas e andaimes. “Sendo obra, eles não escolhem muito: levam qualquer coisa”, lamentou. Em algumas obras, o volume de objetos levados é tão grande que as obras têm de ser paralisadas. O construtor Romeu Cassimiro locou nove andaimes. Todos foram levados por ladrões e ele não conseguiu ressarcir o prejuízo. “Eles pularam o muro, arrombaram a obra e roubaram tudo. Até hoje, o dono da obra não pagou pelo prejuízo e eu estou com o meu nome no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito)”, disse. O caso mais recente descoberto pela reportagem ocorreu por volta de 14 horas do dia 23 último. A vítima foi o do construtor Célio Aparecido Pimenta, de quem foram levadas 24 peças de andaime que estavam guardadas dentro de uma construção no Jardim Ana Dorothéia. Os ladrões levaram também carriolas, pás, enxadões, entre outros objetos que totalizavam cerca de R$ 3 mil. Carlos Santos, mestre-de-obras, que teve prejuízo de R$ 1,4 mil com andaimes que ele teve furtados, disse que não há muito a ser feito. “Se você quiser construir e não ser furtado, ponha gente para morar na obra”.

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