Funcionários da Compeva Indústria e Comércio de Componentes e Compostos Termoplásticos, localizada no Distrito Industrial, passaram a tarde de ontem na porta da empresa à espera de uma previsão para o pagamento de seus salários, atrasados desde outubro. De acordo com eles, a fábrica, que produz compostos em EVA para solados de calçados, estaria parada há duas semanas. Há sete meses, atrasos no pagamento dos salários dos 80 empregados estariam ocorrendo sistematicamente. Ontem, eles não foram atendidos pela diretoria da empresa.
Revoltados com a situação, os funcionários procuraram o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fabricação de Álcool, Químicas e Farmacêuticas, em Ribeirão Preto. Segundo o presidente da entidade, Pedro Jesus Sampaio, foram feitos diversos contatos para intermediar as negociações. "A empresa afirma que não tem nem previsão de quando ou como poderia resolver o problema. Hoje, ficou decidido que algumas máquinas serão disponibilizadas para a venda e posterior pagamento dos trabalhadores. Haverá uma ação judicial para que isso aconteça. Será uma rescisão geral e os contratos com todos os funcionários devem ser encerrados", disse.
O sindicalista disse, ainda, que nos próximos dias será reunida a documentação necessária junto à empresa e aos empregados para poder dar entrada no processo judicial. Sampaio não soube dizer o montante da dívida da Compeva com os trabalhadores, mas acredita estar em torno de R$ 168 mil.
A direção da empresa foi procurada pela reportagem no local e por telefone, mas não quis se manifestar sobre o caso.
PROBLEMAS
Sem receber há 45 dias, o auxiliar de produção Michel Júnior Maria, 19, passou a depender do pai para pagar a pensão alimentícia da filha de apenas 8 meses. "Se eu deixar de pagar vou preso. Este mês meu pai disse que não poderá me ajudar e não sei o que vou fazer", lamentou Michel.
Já o auxiliar de injetora, Carlos Rodrigues Silva, 31, afirmou que terá de se desdobrar para pagar as contas acumuladas na casa que divide com a mulher e dois filhos e até para comprar alimentos. "Estamos tentando garantir pelo menos o pagamento do aluguel e o dinheiro para comprar comida", disse Silva.
OPINIÃO
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