Se até a General Motors, o símbolo do capitalismo, tão vilipendiada pelos esquerdistas está ameaçada de ir à falência, o que se pode esperar mais? Se até a China já se abalou de mexer nas suas formidáveis reservas para incentivar o consumo nacional e não precisar fechar tantas fábricas como as que já fechou até agora.
Está começando a ser muito excitante e interessante viver o dia-a-dia. O Bom Dia Brasil, da Globo, avisou dia destes que o comércio da Rua 25 de Março acendeu sinal amarelo para o Natal preocupado com os estoques comprados no auge do otimismo oficial sobre o crescimento saudável da economia e que vão, com muita probabilidade, servir para o ano de 2009.
Foi também interessante descobrir que as reservas cambiais brasileiras de US$ 200 bilhões de dólares, a despeito de conselheiros do Lula do quilate de Marcos Aurélio Garcia e do antiamericanismo declarado do Itamaraty se compõe principalmente de 170 bilhões de papéis do Tesouro Norte-americano!
Não fosse situação alarmante na indústria de calçados, meio onde a gente passa esta existência, seria divertido observar o que acontece em redor. Mas, infelizmente, não é assim. O que é, porém, mais espantoso é que, a despeito de todos os sinais exteriores sobre o perigo de uma recessão para ninguém botar defeito e que já está implantada entre nós, ainda há gente afirmando que já viu este filme muitas vezes e “no fim dará tudo certo”!
Com toda certeza, tudo dá certo para aqueles que estão cientes das dificuldades que iremos enfrentar e estão se precavendo e tomando as medidas necessárias. Quais são estas medidas e como podem ser tomadas? Já escrevi muitas vezes que hoje sabemos produzir calçado igual ao Primeiro Mundo, mas que a gestão das nossas empresas ainda segue modelo colonial, do tempo do primeiro império.
Também já escrevi muitas vezes sobre os desperdícios endêmicos da indústria de calçados. Já escrevi muitas vezes sobre a necessidade de agregar valor ao produto, sobre a vantagem de “trabalhar menos e ganhar mais”. Já escrevi muitas vezes sobre a necessidade de oferecer serviços primorosos desde a tiragem do pedido até o pós-venda.
Recebi bastantes elogios, mas vi pouca ação. Desperdícios continuam. No lugar do pedido o cliente recebe telefonema (se é que recebe) sobre o atraso na entrega. No lugar de utilizar os materiais de melhor qualidade para agregar valor ao produto, os materiais usados são a cada dia piores para baratear o produto e assim por diante.
A fatura por estas falhas será apresentada a curtíssimo prazo. A euforia do comércio está passando. O capital de giro do varejo, representado pelos gavetões com fichas de crediário ou arquivos de computadores, está andando pelas ruas nos pés dos clientes, cuja inadimplência já está começando a assustar, junto com a ameaça do desemprego. Que panorama! E ainda vamos postergar o dever de casa, de nos preparar para enfrentar esta adversidade?
Caminhos há. Há muita coisa a ser feita. A única coisa que não será tolerada mais é perda de tempo à espera de bonança.
PÉS BOLEIROS
O museu nacional de calçados da Espanha na cidade de Elda, por iniciativa dos torcedores do clube em Elda, solicitou e foi atendido pelo Real Madrid em doar dois pares de chuteiras de dois dos mais famosos jogadores do Real. Os nomes dos jogadores ainda não foram divulgados.
CÓPIA
No dia 6 de outubro começou processo movido pela Adidas contra Wal-Mart, na cidade de Portland, Oregon (USA) onde a empresa tem escritórios para a América do Norte, pela venda indevida de calçados com três tiras laterais, similares às suas.
CRESCIMENTO
A despeito da crise que ameaça se tornar recessão em escala mundial e a despeito de numerosas fábricas na região de Gangzhou terem encerrado atividades devido a queda nas exportações, principalmente para Estados Unidos, a China mantém previsão do crescimento para sua indústria de calçados: de 5 a 6% até o ano 2013.
MERA COINCIDÊNCIA...
A famosa marca argentina Grimoldi de calçados de couro masculinos inaugurou nova unidade fabril em Santa Fé, no dia 5 de setembro, com a presença da presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner. Durante a visita a presidente enfatizou a necessidade de os fabricantes locais agregarem valor aos seus produtos, o que deverá ser a chave para o desenvolvimento da economia do país. (Qualquer semelhança é mera coincidência...)
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.