Viadutos da Hélio Palermo viram moradia


| Tempo de leitura: 3 min
POBREZA - Os viadutos das Ruas Voluntários da Franca e General Telles sobre a Avenida Doutor Hélio Palermo, no Centro, se transformaram em casa para desempregados da cidade. A Prefeitura promete mandar ajuda
POBREZA - Os viadutos das Ruas Voluntários da Franca e General Telles sobre a Avenida Doutor Hélio Palermo, no Centro, se transformaram em casa para desempregados da cidade. A Prefeitura promete mandar ajuda
Dois viadutos em Franca foram transformados em moradia. Eles ficam na Avenida Doutor Hélio Palermo, nos cruzamentos com as Ruas General Telles e Voluntários da Franca. As pessoas se instalaram nos espaços com colchões, fogão improvisado, dependem de água de mina, não têm iluminação nem banheiro. Desempregado, o servente de pedreiro Marcos Batista da Silva, 38, vive no da Rua Voluntários da Franca há sete meses. “Ah, eu morava na rua, dormia nas calçadas, no alpendre das pessoas, mas aí começaram a implicar e eu vim morar aqui”. Ele prefere não falar da família. Há dois meses, Marcos ganhou companhia e passou a dividir o pequeno espaço com o serviços-gerais Daniel Paraíso Corrêa, 30. Ele morava numa casa alugada por R$ 200 na Estação, mas perdeu o emprego e decidiu viver embaixo do viaduto. Para ter acesso à “casa”, é preciso subir uma rampa de terra. Na parte de cima, há apenas um colchão - que é dividido pelos dois -, além de roupas e panelas. A água usada é de uma bica e o mato serve de banheiro. O banho é tomado na rodoviária, mas só quando têm dinheiro, pois pagam R$ 2. Normalmente fazem a higiene de dois em dois dias. As roupas são lavadas na Praça dos Angicos. A única refeição feita no dia - geralmente, miojo e carne - é preparada em um fogão de tijolos e álcool na lata de sardinha. Marcos e Daniel enfrentam outro problema: o alcoolismo. Eles assumem que bebem pinga todos os dias. A rotina deles é pedir dinheiro e comida, beber e dormir para vencer a ressaca. “Os crentes me chamam para ir para a igreja, para ajudar a gente, mas a gente não vai. A gente fica bebendo”, disse Marcos. O companheiro dele admite que já se envolveu com drogas e agora consome pinga, mas deseja conseguir um emprego e mudar de vida. “Eu precisava é de oportunidade, de um serviço. É muito ruim ter chegado nesta situação de ficar pedindo coisa para os outros, sendo que tenho saúde para trabalhar. Já deixei currículo num tanto de lugar, mas não me chamaram. De vez em quando, acho terreno para carpir”. Ele garante que deixa de beber “quando quiser”. Eles não aceitam ficar no Abrigo Provisório, mantido pela Prefeitura. A convivência com outros usuários e regras são alguns dos empecilhos. “Eu queria uma casinha, um ‘barraquinho’ para viver sozinho, numa boa e feliz”, disse Marcos. A Prefeitura promete ajudá-los (leia no apoio). DESENCONTRO O Comércio não encontrou a(s) pessoa(s) que está instalada no outro viaduto da Avenida Doutor Hélio Palermo, no cruzamento com a Rua General Telles. No sábado, havia moradores no local. Ontem, os jornalistas estiveram no endereço por três vezes, em horários diferentes, mas só encontraram um colchão, uma caixa com roupas, pedaços de papelão e garrafas. Não há vizinhos na região, mas o vendedor de uma loja mais próxima disse que já viu um homem embaixo do viaduto, geralmente no horário do almoço, mas isso não acontece todos os dias.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários