Falta de qualificação derruba salário de mulheres em Franca


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NA PRODUÇÃO - As chanfradeiras Jucileide Scott e Sônia Carrijo (da esq. p/ dir.) trabalham em uma das primeiras etapas da produção calçadista: salário das mulheres que trabalham com carteira registrada em Fr
NA PRODUÇÃO - As chanfradeiras Jucileide Scott e Sônia Carrijo (da esq. p/ dir.) trabalham em uma das primeiras etapas da produção calçadista: salário das mulheres que trabalham com carteira registrada em Fr
A diferença entre o salário médio recebido pelos homens e mulheres no último ano em Franca ainda é grande. Enquanto os trabalhadores do sexo masculino têm salário médio de R$ 1,1 mil, elas recebem apenas R$ 958, ou seja, cerca de 15% menos. Os números têm como base o levantamento da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2007, divulgado na semana passada pelo Ministério do Trabalho e que abrange apenas os trabalhadores registrados. Para os especialistas, a falta de qualificação da mão-de-obra feminina é a principal explicação para a diferença dos valores pagos a homens e mulheres. Para Jamil Leonard, gerente regional do Ministério do Trabalho, o salário da mulher é inferior ao do homem porque sempre foi visto como um complemento, um adicional à renda do chefe da família. Em Franca, o problema seria ainda maior. Como o parque industrial é praticamente manual, as mulheres acabam ocupando os cargos mais baixos, conseqüentemente os com menores rendimentos. Pelo levantamento, até dezembro do ano passado, havia 40.385 homens com carteira assinada e salário médio de R$ 1.100,29 e 29.456 mulheres registradas, com renda média de R$ 958,93, uma diferença de 14,74% ou R$ 141,36. Agnaldo Souza Barbosa, professor pesquisador e coordenador do Ceder (Centro de Estudos do Desenvolvimento Regional) da Unifran (Universidade de Franca), disse que a grande massa de trabalhadoras da cidade está no “chão da fábrica” em serviços que exigem pouca qualificação, como costureira, passadeira de cola e pespontadeira, daí não ter como exigir rendimentos maiores. “O nível de salários é diferente porque elas não têm como competir com um homem qualificado, por isso se submetem a ganhos menores. Hoje, para a mulher ter uma renda superior, ela precisa ser ultraqualificada”. Zenaide Otilia Mariano, 41, pespontadeira de uma fábrica da cidade, diz já haver muitas mulheres com salários semelhantes aos de homem, mas lembra que, para ganhar mais, é preciso muito esforço. Na maioria das fábricas de Franca, as mulheres pespontadeiras ganham em média R$ 700. Os homens na mesma função recebem na faixa dos R$ 900. Defensora dos direitos das mulheres, a presidente do Conselho da Condição Feminina de Franca, Maria Ignez Archetti, acredita que a diferença de rendimentos entre os sexos é uma questão cultural e até socioeconômica. “Os homens sempre tiveram preferência e um dos motivos é o fato das mulheres não se arriscarem. Para a mulher, sempre sobrou o serviço doméstico e ela não procurou se qualificar. Hoje elas começaram a perceber essa necessidade e, aos poucos, essa diferença vem diminuindo”. Os dados da Rais também mostram que, na região, o cenário não é muito diferente do existente em Franca. De 13 cidades vizinhas, somente em quatro (Cristais Paulista, Itirapuã, Jeriquara e Restinga) a média salarial das mulheres supera a dos homens.

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