‘O pára-choque da motocicleta é o corpo’


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Para o capitão Alexandre Luiz dos Santos, comandante do Corpo de Bombeiros em Franca, o número de acidentes com motos na cidade pode ser ainda maior do que o apontado pelas estatísticas. O policial afirma que o veículo não oferece proteção e que a imprudência dos condutores é a principal causa das ocorrências. A direção defensiva é a alternativa apontada para a redução dos casos. Comércio - Como o senhor avalia o grande número de acidentes envolvendo motos na cidade? Capitão Alexandre - Setenta por cento das ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo são referentes a salvamento, principalmente, resgate. Deste total, em torno de 80% são acidentes com motociclistas. A motocicleta é um mal necessário, pois é um veículo que permite deslocamentos mais rápidos. Porém, as características da cidade de Franca possibilitam à pessoa se envolver em acidentes, até pelo relevo e topografia. Isto favorece muito. Agora, não podemos deixar de citar o não-cumprimento das regras de trânsito por parte dos condutores. A imprudência, a negligência e a imperícia acabam sendo as grandes responsáveis pelas ocorrências. Comércio - Quantas ocorrências a equipe do senhor atende por dia? Capitão Alexandre - No mês de outubro, os bombeiros atenderam a uma média diária em torno de oito a dez acidentes com motociclistas. São casos em que, efetivamente, levamos a vítima para o hospital. Acredito que o número possa ser ainda maior, pois têm aqueles acidentes que não atendemos. Em alguns casos, a pessoa nem aciona o Corpo de Bombeiros e vai embora com dor e escoriações pelo corpo. Estes não entram em nossas contabilidades. É importante que a gente desenvolva medidas em termos de campanhas e sinalização para conseguir reduzir a forma de condução irregular por parte de motociclistas e motoristas. É preciso praticar a direção defensiva e dirigir pensando nos outros e não em si próprio. Tanto o condutor do veículo, como o motociclista entram no veículo e pensam só em si mesmos. Define sua rota, sendo como o mais importante e todos têm que olhar para ele. Temos que desenvolver o espírito de que o trânsito é uma arma escondida, que pode levar o condutor a óbito. Comércio - Normalmente, o acidente com moto ganha destaque quando a pessoa morre, mas há inúmeros casos sem repercussão e que deixam a vítima com ferimentos graves e com seqüelas para o resto da vida... Capitão Alexandre - Sem dúvida nenhuma. No carro, nós temos uma certa proteção para o condutor e passageiros, mas sempre digo que a motocicleta não oferece segurança. Por mais simples que seja derrapar na areia ou no óleo que está na pista, poderá haver lesões no motociclista. Não existe proteção. O pára-choque da motocicleta é o corpo do condutor. Em caso de acidentes, pode sofrer queimaduras, porque o motor vai estar aquecido, fraturas e ferimentos diversos. Estas lesões podem afastar a pessoa das suas funções profissionais por muito tempo. A moto foi feita para que a pessoa não caia. Se cair, vai se machucar. Comércio - O número de acidentes com motoboys é grande? Capitão Alexandre - Sim. Neste tipo de serviço de entrega em domicílio, a pessoa recebe por quanto mais entregar. Com isto, acaba entrando na contramão, subindo em calçadas e desrespeitando as regras de trânsito para chegar mais rápido. Nossas estatísticas comprovam que, diariamente, a gente socorre motoboy. É importante alertar que o velocímetro da motocicleta e do carro não é redutor de tempo. A pessoa deveria desenvolver uma cultura de que a vida, que seu braço, que sua perna e a sua coluna vertebral, não têm peças de reposição. Em caso de acidente, poderá ficar afastada do trabalho, sofrer seqüelas nas suas atividades de lazer e não ter uma vida normal.

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