A Igreja inicia um novo tempo litúrgico com o nome de “Advento”. Advento significa: tempo de espera, de expectativa, de esperança. Quando virá o Senhor? Durante o tempo litúrgico do Advento, a Palavra de Deus vai dar a resposta.
Chegando ao final do ano civil, o Advento torna-se um tempo próprio para fazermos um balanço e retomarmos o compromisso com o projeto de Deus. O ano civil começa no dia 1º de janeiro; a liturgia, porém, segue outro calendário e estabelece o início do ano no primeiro domingo do Advento.
É a partir do ano 350 depois do nascimento de Cristo que começou a celebrar o nascimento de Jesus, antes, só era celebrada a Páscoa.
Por volta do ano 600 depois de Cristo, os cristãos julgaram que uma festa tão importante deveria ser preparada com muito esmero, e por essa razão decidiram que fosse precedida pelos quatro domingos do Advento e que o Ano Litúrgico deveria começar com o primeiro desses domingos, portanto, no final de novembro ou no começo de dezembro.
A primeira leitura da missa é tirada do Livro de Isaías. O texto é uma oração tipicamente judaica. Começa com uma recordação de como Deus é e de suas ações realizadas em favor do povo. Depois, brotam a súplica, a lamentação, o arrependimento. Conclui com um ato de entrega a Deus que é Pai e Criador.
O trecho começa com dois atributos dirigidos a Deus. “Vos sois Senhor, nosso Pai, nosso Redentor desde os tempos passados”.
Deus é invocado como Pai, nome que, mais tarde, será usado normalmente por Jesus para se referir a Deus.
A palavra “redentor” indicava aquele que tinha a tarefa de libertar da escravidão um membro da própria família que tivesse caído prisioneiro ou que tivesse sido vendido.
Diante de um povo que sofre no exílio, o profeta Isaías, para fortalecer a fé, para reencontrar motivos de esperança, ele rememora os tempos passados e lembra que Deus sempre interveio para iluminar as noites tenebrosas nas quais Israel se tinha deixado envolver.
Revendo sua história os israelitas querem abandonar os ídolos, querem retornar ao caminho proposto por Deus que nunca podiam ter abandonado.
Como fazer? A quem recorrer? Só resta invocar o Pai e pedir-lhe para enviar o seu Redentor.
A segunda leitura contém os versículos iniciais da primeira carta aos cristãos de Corinto. Aquela comunidade tinha acolhido o Evangelho com entusiasmo, mas, depois, aos poucos, recaiu nos vícios da vida passada. Paulo conhece suas fraquezas e misérias.
Mesmo assim, ele os convoca a uma vida mais séria. Apesar de muitos defeitos que possuíam, os cristãos de Corinto nos são apresentados como modelos para aqueles que aguardam o Senhor.
Nesta leitura aprendemos que Deus não se assusta com os nossos erros; é suficiente abrirmos o coração para os seus dons.
No evangelho escrito por São Mateus diz Jesus: “Vigiai, pois, visto que não sabeis quando o Senhor da casa voltará”. O primeiro domingo do Advento nos chama à Vigilância. Jesus exige fé dos discípulos. Quando Jesus fala da “noite” no evangelho, quer apresentá-la como o símbolo da escuridão que às vezes ou com freqüência cai sobre nós.
Por outro lado conhecemos momentos luminosos na nossa vida: a saúde, a estima, a simpatia, a coragem para trabalhar, etc. Na vida enfrentamos momentos de tranqüilidade e tribulações. Quando tudo é luz, nós sabemos encontrar o rumo certo. Mais tarde inevitavelmente, caem, para todos, as sombras do entardecer. Vêm chegando as noites da desventura, de infortúnio, de doença, da dor, da incompreensão, da velhice, da solidão. Ficamos então desnorteados, nos tornamos vítimas da aflição e não sabemos mais a quem nos dirigir. É nessas horas que devemos vigiar e cultivar a confiança no Senhor que vem para iluminar todas as nossas noites.
Jesus não abandonou os homens às incertezas deles mesmos. Ao voltar para o Pai, deixou aos seus discípulos a missão de completar a obra por ele iniciada. O cristão não espera passivamente a vinda do Senhor. Trabalha, se esforça; espera, sim, que o Senhor faça surgir um mundo novo, mas colabora para construí-lo.
O cristão é vigilante quando presta atenção a tudo o que acontece ao seu redor, quando por primeiro percebe os sinais da aurora de um mundo novo, quando sabe ler em todos os acontecimentos o projeto de salvação de Deus.
ADVENTO E NOVENA
No início do Advento celebramos a Novena da Padroeira, a Imaculada Conceição. É um momento especial da graça de Deus para todos nós que recorremos a Maria, mãe de Deus e nossa, em todos os dias da nossa vida. Entre tantos pedidos que apresentaremos a Maria, temos um especial: que o terror da crise financeira que amedronta o mundo não faça crescer a realidade do desemprego em nossa Franca.Que nossa cidade continue trabalhando. Participe da Novena da Imaculada Conceição: sábados e domingos, às 19h, e durante a semana, às 19h30.
8 DE DEZEMBRO
É dia santo de guarda. Na Catedral teremos vários horários de celebrações e momentos de oração mariana. Neste domingo vamos oferecer a programação completa.
PENSAMENTO
“O Redentor vem, mas é preciso vigiar”.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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