Existem três coisas difíceis de fazer. Subir em uma escada que se inclina para frente, beijar uma mulher que se inclina para trás e fazer um discurso antes de um jantar”. Com essa frase de Winston Churchill, um José Serra extremamente bem-humorado falou de improviso, na última terça-feira, em jantar oferecido pelo diretor responsável pelo jornal Valeparaibano, Fernando Salerno, em sua casa, no Morumbi, na capital paulista.
Foram 47 minutos de um discurso recheado de piadas sobre o Palmeiras e seu passado de jornalista, brindes e uma defesa intransigente da imprensa regional, feita diante do público certo - os diretores de jornais filiados à APJ (Associação Paulista de Jornais), além de lideranças políticas do Estado e convidados.
“A informação é um dos pilares da liberdade, é questão essencial. O requisito para a liberdade é o conhecimento. Quem não conhece é um prisioneiro”, disse o governador. Depois, Serra engatou a marcha, elencou as principais ações do governo tucano no Estado e anunciou que os investimentos públicos ao longo de seus quatro anos de mandato devem atingir a marca de R$ 60 bilhões, notadamente nas áreas de infra-estrutura, educação e saúde.
Para ele, um dos eixos do desenvolvimento paulista será a nova agência de fomento concebida para financiar as pequenas e médias empresas - uma espécie de BNDES paulista. “Destinamos R$ 1 bilhão para esta agência de fomento. Para financiar a pequena e a média empresa em São Paulo. Vai ser uma alavanca muito importante para o Estado. Inclusive trazer financiamentos do Banco Mundial, do BID.
Isso vai ter uma importância enorme para o interior, principalmente para as regiões que sofrem com a guerra fiscal.”
Em meio a tantos temas sérios, Serra brincou com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Vaz de Lima, sentado ao seu lado. “O Vaz tem um talento. Onde eu vou com ele no interior ele deixa a gente em situação complicada porque ele tem parente em todo lugar.
Eu sou a primeira geração, meu pai é italiano. Mas o Vaz, em qualquer lugar que ele vai, ou ele nasceu ou o irmão nasceu ou algum outro parente nasceu ali.” Foi interrompido pelo seu líder de bancada na Assembléia, Barros Munhoz, sentado na mesa ao lado. “Em compensação, quando a gente anda em São Paulo, você tem parente em Santo Amaro, em Guaianases.”
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Formalidades à parte, o governador lembrou seus tempos de jornal, na década de 1980, completando seu salário de professor da Unicamp. “Fui editorialista da Folha. Foi lá que eu aprendi a resumir texto e escrever rápido. Depois de um tempo, escrevia tão rápido que diziam que eu era a hora mais cara do jornal”, contou. Mas a operação era complicada. Serra ditava o texto por telefone para o jornal. “Eu detestava máquina de escrever. Não suportava errar e ver aquela borradeira toda que a máquina fazia no papel.”
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