Na luta contra o vírus


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Neste 1º de dezembro, data que marca a luta mundial contra a aids, as estatísticas sobre a doença chegam como um alerta: o número de novos casos envolvendo jovens portadores do vírus HIV em Franca e região mais que dobrou em relação ao ano passado. De janeiro a novembro de 2007, cinco pessoas foram infectadas. Neste ano, no mesmo período, já são 12. Todos na faixa etária de 13 a 28 anos. Dos 1.249 pacientes que lutam contra a doença, 13% (160) são jovens. Os dados são da Secretaria de Saúde e do Ambulatório de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Aids. Além desse aumento, o levantamento revela que o perfil dos jovens que estão sendo infectados também mudou. Antes, os novos casos surgiam principalmente em homens que mantinham relações homossexuais. Hoje a maior parte dos novos portadores é formada por mulheres que mantêm relações com homens. Dos 160 pacientes em tratamento, 93 são mulheres (58%) e 67 homens. Há três meses, a vendedora desempregada Natália*, 28 anos, entrou para esta estatística. “Fui à ginecologista. Na consulta, a médica reparou algumas manchas incomuns na minha perna e perguntou se eu queria fazer o teste. Eu não suspeitava, mas fiz. Deu positivo”. Casada há nove anos, mãe de dois filhos, de 8 e 10 anos, Natália não vivia bem com o marido. “A gente brigava, dava um tempo e voltava. Foi aí que aconteceu de eu ficar com outro cara. Acho que sei de quem peguei, mas penso que o rapaz não sabia que tinha o vírus”. Faz apenas um mês que Natália começou a tomar os medicamentos para combater o vírus e já sente as mudanças. “Me dá sono, fome e tonteira. Até o organismo acostumar não vai ser fácil. Chorar e me descabelar não vai adiantar. Tenho que encarar de frente”. Vencer novos desafios e obstáculos é o que está fazendo o jovem sapateiro Rogério*, de 18 anos. Há seis meses, ele descobriu que tinha contraído HIV de sua namorada Aline*, de 23 anos. “A gente namora há três anos e ela não sabia que tinha aids”, disse. Mas quando engravidou, há um ano e meio, Aline sentiu dores na barriga, fez alguns exames e constatou. Era soropositiva. “Ela não sabe como contraiu o vírus. Mas graças à descoberta antecipada e ao uso de medicamentos adequados, nosso filho, que hoje tem 1 ano, não nasceu com aids”, disse. Quando soube que era portador, Rogério disse que não foi nada fácil contar para seus pais. “Na hora que vi o exame, estavam minha mãe, meu pai e meus dois irmãos na sala. Aí, contei. Eles ficaram bravos, mas depois me deram todo apoio. Hoje eu e minha mulher moramos com os meus pais”. Para evitar o preconceito, o portador decidiu não contar sobre o resultado do exame para mais ninguém. “Prefiro evitar falação. Não contei no meu serviço, nem pretendo contar. Só meus pais e alguns amigos, também portadores do vírus, sabem”. Agora Rogério vai ser pai novamente. “Não foi planejado, mas a Aline, grávida de três meses, vai tomar os medicamentos para que o bebê não seja portador”. Sobre o futuro, ele não arrisca dizer como vai ser, mas faz questão de dar um conselho aos jovens. “Se ajudar, posso dizer que usem camisinha. É a melhor coisa que eles fazem na vida. Me arrependo muito de não ter usado”. PRESERVATIVO SEMPRE Quando o assunto é prevenção, tanto o uso da camisinha masculina quanto da feminina ainda continua sendo ferramenta essencial na prevenção contra doenças sexuais. Segundo Alexandre Ferreira, secretário municipal de Saúde, quem transa sem preservativo sempre está correndo risco. “Ele é importante em todas as relações e em qualquer idade, pois além de evitar o contágio da aids, também evita as DSTs”, disse. Em Franca, são feitos programas de prevenção em escolas, campanhas e eventos específicos sobre a necessidade do uso de preservativo, a importância de fazer o teste para detecção do vírus e a adesão aos tratamentos. Os jovens que quiserem fazer exames gratuitos e sigilosos para testes de HIV podem procurar o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento). O Centro funciona de segunda a sexta-feira, das 7 às 13 horas”, e fica na Rua General Osório, 1.417, Centro. *A pedido dos portadores do vírus HIV, os nomes são fictícios para preservar sua imagem.

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