A linda manhã de sol do domingo me viu acordar bonito e, mais belo ainda senti-me ao participar do santo ofício da missa na Catedral, acrescentando à lista já existente, mais 103 anjos de Deus. Eram meninos e meninas despertando pela catequese da fé na iniciação dos caminhos da salvação. Recebiam por vez primeira o sacramento da Eucaristia, a primeira comunhão.
Diante de um mundo que se apresenta turbulento, impaciente e repleto de oportunidades para a devassidão, nada mais salutar que buscar reflexão e ganho de tempo em momentos de aprimoramento do espírito através do amor e busca da paz, bens ensinados por Jesus Cristo.
O solo mais fértil para semear o bem é a juventude cheia de sonhos e talento, em que aflora desejos e poder assimilador de vocações, ternura e amor. A homilia do sacerdote oficiante, a clareza do som no recinto religioso, a serenidade das palavras, a doçura melódica na voz em cânticos de louvor certamente levaram ao êxtase, fiéis aglomerados na longa nave de nossa catedral.
Quantos frutos irá colher aquela mais de centena de meninos e meninas e suas famílias em função dos ensinamentos recebidos durante sua preparação no catecismo? Quantos serão os bens incrustados em suas mentes pelas sábias palavras proferidas durante a celebração da solenidade de Cristo Rei onde se alegraram todos com a divindade da primeira Eucaristia? Por tudo que foi ouvido, pela reflexão suscitada, pelo ato de fé, pelo saneamento dos objetivos futuros, oremos pela graça de ver multiplicada a juventude de Anjos de Deus, incluindo a detecção de vocações sacerdotais.
As grandes lições dos cultos religiosos! No caso em pauta – duas podem destacar-se – foi ensejado à leitura de carta de uma humilde irmã do povo clamando por ajuda em alimentos para sua vasta prole por ocasião do Natal. O envelope destinava a correspondência a “Anjo de Deus”. O tema foi desenvolvido durante a missa com alto grau de motivação para o culto do amor nos corações humanos.
Afirmou-se a necessidade de refletir sobre as diferenças sociais pugnando incansavelmente pela igualdade entre as pessoas – fazendo comer a quem tem fome, beber a quem tem sede, vestir ao nu, assistir a quem esteja preso ou doente. (Mt 25, 31-46).
Hosana ao Monsenhor José Geraldo Segantin pela firmeza exercida em seu apostolado nos domínios da casa de Deus. O caminho do acerto não fica sedimentado invariavelmente no aquiescer de um “sim” em lugar de um absolutamente e necessário “não”.
Vale a regra para todos os comportamentos das relações humanas: na educação dos filhos, na sala de aulas, nas relações no trabalho, nos julgamentos, na observação da ética, no respeito a direitos e deveres, na união conjugal ou nos dogmas da interioridade da igreja.
O “não” pode muitas vezes revelar-se como profunda afirmação de amor ao estabelecer respeito à disciplina. Pode coibir hábitos que arraigados, podem destruir vidas, enodoar a imagem da sociedade conspurcando a honorabilidade do homem ou mulher.
Embarquemos todos na elaboração de um mundo melhor, com a lisura do comportamento de aprender a dizer – e por que não – aceitar com respeito, quando nos for imposto um “não”.
Garcia Netto
Jornalista
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