A assessora da diretoria da Unesp, Juliana Damasceno, 40, já não tinha esperanças de continuar viva. Pensou, em muitos momentos, que iria morrer. Aos 27 anos tinha sérios problemas de hipertensão, depois de anos, fez biópsia pedida por um nefrologista e descobriu que tinha insuficiência renal, provocada pela doença de Berger, que afeta o sistema imunológico.
Ao longo de dez anos, os dois rins paralisaram. Os tratamentos não solucionaram a doença. A única alternativa para salvá-la, o transplante, foi possível graças a seu pai. Num ato de amor, Wilson Paula, aos 66 anos, decidiu “perder” um pedaço do seu corpo e doar um dos seus rins para a filha. A fila por um transplante de rim é a maior no Brasil. São 25 mil pessoas à espera da doação.
“No começo eu não queria, dizia que ia ficar na fila. Mas a situação foi complicando. Tinha medo do meu pai morrer por minha causa. Mas ele dizia que já tinha cumprido a missão dele e que me ver sofrendo era muito ruim. Ele foi um herói, um anjo. Se não fosse isso, tenho dúvidas se estaria viva até hoje”, disse, emocionada.
Juliana e seu pai foram operados no dia 9 de abril de 2007, dois meses após a decisão de doar o órgão em vida. Os dois passaram por uma bateria de exames neste intervalo. Ela vive com três rins. Os seus dois não foram retirados. Seu pai está bem. A cirurgia demorou cinco horas. Foi feita no Hospital do Rim, em São Paulo. O pai ficou dois dias internado. Juliana, dois meses. Enfrentou rejeição, trombose e baixa resistência. Seu estado só melhorou depois de um ano da operação.
Hoje precisa tomar 23 remédios por dia, entre imunossupressores, corticóide, anticoagulante e outros. Se viaja - o que adora fazer, ao lado do marido -, precisa levar a bolsa com os medicamentos. Mas ela ganhou qualidade de vida. Para quem viu a morte de perto, só há motivos para comemorar. “O transplante é um milagre. Não me lembro do terceiro rim que tenho, ele já faz parte de mim”.
Antes vivia com mal-estar, pressão alta, sem energia e era impedida de consumir proteínas, como carnes e ovos. Recuperada da cirurgia e dos problemas de rejeição, aproveita a vida, que lhe deu mais uma chance de continuar. “Voltei a comer carnes, ir para o rancho, viajar, passear no shopping, trabalhar. Eu renasci”.
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