Trabalhador francano vive com R$ 34 por dia


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COMPRAS - O sapateiro Nelson dos Santos segura sacolas de compras ontem em supermercado de Franca. Somente de carne foram R$ 40
COMPRAS - O sapateiro Nelson dos Santos segura sacolas de compras ontem em supermercado de Franca. Somente de carne foram R$ 40
R$ 34,68 por dia. Este é o rendimento médio diário de um trabalhador em Franca, segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2007, divulgado nesta semana pelo Ministério do Trabalho. O valor é o quarto maior da região, mas perde do ganho médio do brasileiro (R$ 45,19), do paulista (R$ 53,04), do mineiro (R$ 36,74) e do trabalhador de Ribeirão Preto. Pelo levantamento que tem por base apenas os trabalhadores registrados formalmente, os homens são a maioria dos empregados e recebem, em média, R$ 1,1 mil por mês, enquanto as mulheres têm salário médio de R$ 958,93. A Rais leva em consideração o número de 69.841 trabalhadores com carteira registrada. O menor rendimento do trabalhador francano está na faixa dos 16 a 17 anos. Segundo o MT, os 1.904 jovens trabalhadores nesta idade ganham em média R$ 524,24. Enquanto que o maior, está na faixa etária dos 65 anos ou mais. Eles totalizam 400 pessoas, com renda média de R$ 1.540. Na região, o ganho médio diário de Franca é inferior ao de Batatais, Patrocínio Paulista e o da cidade mineira de Ibiraci (veja quadro nesta página). Se levado ao supermercado, com a quantia de R$ 34,68, um trabalhador quase não consegue comprar dois quilos de coxão mole, um pacote de arroz e dois quilos de feijão. Para o professor pesquisador e coordenador do Ceder (Centro de Estudos do Desenvolvimento Regional) da Unifran (Universidade de Franca), Agnaldo de Souza Barbosa, o valor também é baixo se comparado a outros centros urbanos semelhantes, industriais ou não. A explicação de Barbosa está no fato da maioria dos trabalhadores da cidade estar empregada em micro e pequenas empresas. “O percentual de empregados que depende dessas empresas é muito alto, supera os 70%. E elas (micro e pequenas empresas) não têm condições de pagar grandes salários”. O professor disse ainda que a expansão da quantidade de empresas de crédito e o crescimento no número de jovens que entram mais cedo no mercado de trabalho dão prova do quanto o rendimento do francano é baixo. “Franca tem características de cidade industrial e operária, onde o trabalho da indústria é quase artesanal, manufatureira, por isso também se paga pouco. Com baixo salário, a mulher precisa ajudar nas despesas e o filho começar a trabalhar mais cedo”. Se considerar uma família de quatro pessoas e todas as despesas de uma casa, o que inclui alimentação, moradia, água, energia, telefone, transporte, roupas e calçados, o rendimento se torna irrelevante. “Não dá para vislumbrar outros tipos de necessidades como lazer e educação de qualidade. A pessoa consegue sobreviver, mas com dificuldades”, disse Barbosa.

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