O sapateiro afastado Nelson dos Santos, morador no Parque Vicente Leporace II, esteve ontem num dos supermercados do bairro, na região norte de Franca, para comprar mistura para o restante da semana. Na compra de quatro quilos de carne, gastou R$ 40, valor superior aos R$ 34,68 médios recebidos por dia por um trabalhador francano. Na família do sapateiro, há três adultos e a carne será suficiente para, no máximo, quatro dias.
Para ele, com essa quantia diária o sustento de uma casa com quatro pessoas é feito com dificuldades. “Em casa, a renda é um pouco maior e somos somente em três pessoas, ainda assim fico endividado. Se tivesse criança, não sei como seria”, disse. Santos ganha em média R$ 1800.
No orçamento de Santos, economizar é palavra de ordem. Viagens de visita a familiares foram cortadas e o carro tem ficado por mais tempo na garagem. “Economizo no combustível. Tento andar o máximo possível a pé. De primeiro, vinha de carro no supermercado, agora deixo o carro na garagem”.
Outras ações adotadas pelo sapateiro para administrar o dinheiro foram a anotação de todas as despesas e o fim de compras de necessidades secundárias, como calçados e roupas. “Tudo é controlado. Tento gastar o mínimo possível, ainda assim não dá e algumas contas ficam atrasadas”. Antes, segundo ele, compras em pequena quantidade no supermercado também aconteciam ao menos uma vez por semana, mas recentemente passaram a ser quinzenais.
Nas despesas mencionadas por Santos estão as contas com energia, água e telefone, alimentação, transporte e a prestação do carro. “Quando apenas uma pessoa trabalha na casa, a situação fica apertada. Agora que meu filho começou a trabalhar, espero que as condições melhorem”.
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