Boa vida depois dos 80


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SEM DEPRESSÃO - A aposentada Lourdes Teixeira (de azul no centro) se diverte dançando com as novas amigas que fez na Unati nas dependências da Unesp
SEM DEPRESSÃO - A aposentada Lourdes Teixeira (de azul no centro) se diverte dançando com as novas amigas que fez na Unati nas dependências da Unesp
O avanço da medicina e a melhoria na qualidade de vida dos brasileiros nas últimas décadas aumentaram a longevidade da população. Antes, passar dos 80 anos era encarado como uma conquista extraordinária. Hoje já tem muitas pessoas chegando lá. Na região, mais de 3 mil pessoas passaram dos 80 anos e não é difícil encontrar idosos nesta faixa etária fazendo atividades esportivas e até voltando a estudar. O aposentado Joaquim Madureira, 93 anos, de Batatais, é um exemplo de que a idade não é um fator limitante. Madureira sempre trabalhou na lavoura e só aprendeu a ler e escrever aos 80 anos. “No meu primeiro dia de aula, chorei de tanta vergonha. Todos os alunos eram muito mais novos do que eu”. Joaquim venceu a timidez e continuou na escola. Hoje, aos 93 anos, faz cursos para a terceira idade na faculdade da cidade. Todos os dias ele pode ser encontrado no Centro Universitário Claretiano de Batatais, das 13h30 às 17 horas. Lá, ele freqüenta as aulas de natação, ciência, ginástica e computação. O estudante não pensa em parar. “Quero muito fazer um curso ligado à lavoura. Sempre trabalhei em roça e sei tudo, mas nunca é demais aprender”. Joaquim, que é viúvo há seis anos, é pai de quatro filhos e tem 21 bisnetos e uma tataraneta. Aos 82 anos de idade, a professora aposentada Esim Lourdes Chueri Teixeira, de Franca, voltou a ser estudante. Ela é uma das alunas da Unati (Universidade Aberta à Terceira Idade), mantida pela Unesp (Universidade Estadual Paulista). Duas vezes por semana, ela passa uma hora e meia na universidade. Lourdes freqüenta as aulas de yoga, filosofia, história da arte, educação ambiental, teatro, inglês e de coral. “Também aprendemos a estimular a memória. Além disso, na Unati é ótimo para fazer amigos. Fiz muitas lá”, disse Lourdes que freqüenta a Unesp há mais de cinco anos. A professora aposentada afirma que as aulas ajudaram a melhorar a saúde de uma forma geral. Só vai ao médico uma vez ao ano ou quando sente algum mal-estar. Em casa, onde mora sozinha, se ocupa com pequenos afazeres domésticos e do tricô. A limpeza da casa fica por conta da diarista que vai a cada 15 dias. Também não cozinha. “Eu prefiro comprar pronta em um restaurante perto da minha casa. Os meus filhos casaram e, como moro sozinha, não tenho muito ânimo para cozinhar”. Para ajudar a passar o tempo quando não está na aula, Lourdes se dedica à leitura. Na TV, só assiste ao jornal e à novela. “Das novelas, não gosto muito. Estão muito violentas”. Julieta Gandia de Faria, 82 anos, também não é muito fã de televisão. O que ela gosta mesmo é do silêncio. Para manter a mente ocupada, Julieta faz crochê. Também mantém o costume de ajudar uma das filhas a preparar o almoço e até a lavar algumas roupas quando é preciso. “Sou eu que limpo minha casa. Não faço faxina, mas deixo tudo arrumadinho”. Já os crochês, a aposentada vende. “Só faço por encomenda. Alguns demoro muito porque faço bem devagar”. Os crochês ajudam a aumentar a renda de Julieta. Os valores variam de R$ 10 a R$ 200, mas recentemente vendeu uma cortina por R$ 800. A aposentada mora sozinha nos fundos da casa de um filho e não abre mão de sua independência. “Costumo acordar às 6h30 e não fico parada. Saio muito e quando estou em casa estou sempre fazendo alguma coisa”.

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