Memória e saudade nas telas


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O artista plástico Pedro Paulo Schirato Neto expõe 35 telas alusivas à história de Franca.
O artista plástico Pedro Paulo Schirato Neto expõe 35 telas alusivas à história de Franca.
A casa de tintas localizada na esquina da Rua Voluntários da Franca tem muita história para contar. Não bastasse a calçada centenária ou então os paralelepípedos - um dos primeiros a serem colocados no município - e o próprio prédio da loja, que mantém sua estrutura original, ali trabalha o senhor Pedro Paulo Schirato Neto, francano por natureza e de coração, casado e com três filhas. Aos 70 anos, com cerca de 4 mil telas no currículo, ele coleciona há quase 40 anos o mágico hábito de reportar o passado da cidade com seus pincéis, telas e tintas a óleo. São tantos quadros, que já até perdeu a conta. “Que já produzi deve ser mais de uns cem quadros pelo menos, mas muitos já vendi. Hoje tenho uns 35 à disposição na loja”. É impressionante como Pedro consegue recordar até das cores dos prédios, já que as telas foram feitas com base em fotografias antigas em PB (preto e branco). O seu estilo é marcado por um mimetismo apaixonado. Proporções exatas retratam com fidelidade cada espaço urbano da Franca de outrora, sobretudo entre as décadas de 1920 e 1950, e despertam atenção pelos contrastes com relação ao que se vê hoje. Sua maior influência é o pai, também artista plástico, Luiz Schirato, bastante reconhecido nos salões de artes paulistas de décadas passadas. Em meio a tantas imagens que causam encanto e saudosismo entre os mais velhos, Pedro, que faz pinturas desde os 15 anos, guarda um apreço maior pela tela em que está retratado o Hotel Francano, onde está instalado hoje o Banco Itaú. Inaugurada em 1930 e demolida em 1982, a construção foi símbolo de um período de prosperidade do café. O prédio, cercado pela Praça Dom Pedro II e acompanhado por um jacarandá roxo (também já inexistente), é o lugar que mais traz lembranças ao artista. “É o quadro de que mais gosto, porque representa meu reduto de infância e adolescência. Lá eu freqüentava muito, brincava, jogava peão e bolinhas de gude”, relembra. Cada tela de Pedro Schirato leva por volta de 9 horas para ficar pronta - é concluída em três dias. Os quadros podem ser adquiridos por aproximadamente R$ 300 cada. Segundo o pintor, são vendidos em média quatro quadros por mês, principalmente para quem viveu a época retratada neles. “Ah! Naquele tempo não tinha tanta violência e a gente podia brincar à vontade”, recorda Pedro. Dentre a infinidade de quadros, em sua maioria com 40 por 50 centímetros, estão também a Praça Barão com o jatobá e um jacarandá (que foi arrancado em 1940, com a ajuda de elefantes de um circo que estava na cidade), e o bingo hoje extintos, bem como o pedidor de esmolas, “Seu José”, nas escadarias da Catedral e o antigo Cine São Luiz, fechado há aproximadamente 30 anos. Além disso, Pedro Schirato reproduziu diversas representações da Rua da Estalagem, uma das mais antigas de Franca, atualmente denominada Boa Vista. A dinâmica do lugar, décadas atrás, o pintor descreve com deta-lhes. “Os carros-de-boi iam daqui a São Paulo carregados de produtos agrícolas e voltavam carregados de açúcar e sal. Demoravam um mês de viagem”. SERVIÇOS Todas as 35 telas do artista plástico francano Pedro Paulo Schirato Neto estarão expostas e à venda nesta sexta-feira, das 18 às 22 horas, no centro de Franca. O local ainda não foi definido, podendo ser na Praça Nossa Senhora da Conceição, na Praça Barão ou ainda na fonte luminosa. Colaborou: Fernanda Martins

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