O ano ainda não terminou, mas este mês de novembro já é inesquecível, marcado por vitórias de imbatíveis afro-descendentes. Dia 2, o jovem piloto inglês da Fórmula 1, Lewis Hamilton, se tornou o primeiro negro a competir e a ser campeão mundial desta milionária e seletiva categoria. No dia 4 aconteceu a eleição do líder supremo dos Estados Unidos, que fez de Barack Obama o primeiro presidente americano negro. Em tão curto espaço de tempo a discriminação racial foi duramente golpeada mas não morreu. Há ainda fortes resistências a serem vencidas. Novembro reserva espaço também à Consciência Negra, ocasião em que os brasileiros que lutam por uma sociedade democrática se unem para edificar um País com direitos respeitados. O anseio de Zumbi por liberdade deve ser continuamente lembrado para que o Brasil se esforce mais para se tornar, de fato, uma grande nação. Até lá, precisa contemplar de frente a necessidade de priorizar a educação. Só assim propiciará aos seus filhos auto-estima e segurança para construírem uma sociedade séria e igualitária. Importante lembrar que, só um ensino com excelência de qualidade dará ao nosso País a oportunidade de ver essa nova geração se tornar cidadã, livre, sem medo, voltada para o bem da sociedade em que vive. A eleição de Obama devolveu esperança ao mundo e reafirmou a necessidade cada vez mais urgente de se compor uma sociedade embasada em fortes princípios éticos e morais, que só se consolidará se for pautada no princípio indispensável de crescimento de todos os povos: a democracia. Somos um país de raça. Uma nação de muitas cores e de imensuráveis valores. Uma terra onde tudo pode dar certo!
Palmiro Mennucci
Presidente do CPP - São Paulo - SP
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Do meu ponto de vista, a luta de Zumbi se iguala à de Tiradentes: o foco está na liberdade. Tiradentes queria ver o Brasil livre das garras de Portugal, que explorava desenfreadamente o País. Zumbi, além de ter nascido condenado à escravidão pelo fato de ser negro, lutou até sua morte para pleitear um direito comum a qualquer ser vivente, a liberdade. Parece que muitos não concordam com o Dia da Consciência Negra dizendo que deveria também haver o Dia da Consciência branca. É muito fácil fazer piada e dizer tal absurdo depois de quase 400 anos de escravidão que não vivenciamos, mas vemos todos os dias seu resultado: favelas, baixa escolaridade, maior envolvimento em crimes. Os antepassados negros saíram da Abolição com uma mão na frente e outra atrás e esta é uma ferida que ainda demorará muito para cicatrizar. O Brasil continua sendo o País mais miscigenado do mundo mas com graves problemas para reconhecer a si próprio.
Paulo César Barbosa de Souza
Franca - SP
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