Dois minutos por semana é o tempo que a dona de casa Maria Aparecida da Silva, 47, tem para falar, por telefone, com a filha Fabiana da Silva, 28, presa desde 2005 na África do Sul por tráfico internacional de drogas. Durante três anos, Aparecida teve poucas notícias da filha. Sabe que ela foi operada de um câncer e que reclama da falta de medicamentos, agasalho e comida.
Preocupada, a mulher quer visitá-la, mas não tem condições financeiras. “Meu sonho é ganhar uma passagem. Antes (da prisão), o muito que fiquei longe dela foi quinze dias. Agora já são três anos que não a vejo”, disse, emocionada.
Em 2005, Fabiana recebeu uma oferta de R$ 12 mil para levar cocaína para a África do Sul. Aceitou. A droga foi colocada em cápsulas, que ela ingeriu. Não conseguiu seu objetivo e acabou presa ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Johannesburgo. Na época, estava prestes a completar quatro meses de gravidez.
Em maio de 2006 foi julgada e condenada a oito anos de prisão. Sua história ganhou repercussão em Franca e região após o nascimento da filha Kimberlyn Victória, hoje com 2 anos e meio. Temendo que a criança fosse encaminhada para a adoação - ato previsto na legislação daquele país - Maria Aparecida enfrentou um drama para trazer a neta para o Brasil, o que só ocorreu em novembro de 2006.
Mais tranqüila por estar com a criança por perto, Maria Aparecida se preocupa agora com a saúde da filha. “Ela teve um câncer e retiraram um pedaço da sua barriga. Mas não sei como é o tratamento lá. Nem sei se tratam direito. Pelo pouco que soube, as presas sofrem muito lá, sem remédios e sem comida”, afirmou.
A angústia de Aparecida é ainda maior pela falta de contato. A presa liga aos domingos, pela manhã, mas tem apenas dois minutos para falar. É o suficiente para Fabiana perguntar sobre os filhos ou ouvir a voz deles, o que faz questão.
A dona de casa sonha em visitar a filha. Matar a saudade e levar, pessoalmente, os agasalhos que Fabiana pede, além de medicamentos. “Já que ela está presa e tem que pagar que pague dignamente. Nem sei se minha filha vai voltar um dia para o Brasil. Queria muito vê-la, mas não posso”.
Aparecida mora em uma casa pequena no Parque do Horto com três filhos e três netos. O orçamento bruto da família é de pouco mais de R$ 1 mil. Só as despesas da prestação da casa ultrapassam R$ 250. Quem quiser ajudar pode entrar em contato com Maria Aparecida pelo telefone (16) 3720-1698.
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