A Polícia Civil de Ribeirão Corrente investiga um possível caso de omissão de socorro que envolveria a Polícia Militar da cidade e a Santa Casa de Franca. A omissão teria ocorrido na madrugada do dia 17 de novembro, quando o andarilho Dênis Pereira da Silva, 28, envolveu-se em uma confusão após bater na mãe de um amigo, a aposentada ACS, 79. Dênis foi posteriormente internado e morreu na noite do último dia 24 na Santa Casa, vítima de AVC (Acidente Vascular Cerebral). Para a família, a causa da morte pode ter sido espancamento.
O delegado José Augusto Franzini de Almeida disse que a investigação em relação à PM se deve ao fato de Dênis ter ficado em poder dos policiais por aproximadamente três horas após ser detido. Apesar de ter agredido a idosa, Dênis apresentava escoriações e outros problemas de saúde e necessitava de atendimento médico. “Do jeito que ele estava, realmente a ambulância deveria ser solicitada imediatamente. Ele aparentava estar muito mal”, disse o delegado.
Além disso, segundo Almeida, é comum a abertura de inquérito por morte suspeita quando há o contato do morto com policiais, para averiguar a possibilidade de agressões. “A vítima ficou na mão dos PMs por um tempo. Sempre que há a participação de policiais, e há morte, é praxe instalar (o procedimento)”.
A Santa Casa é investigada porque teria inicialmente negado o atendimento. “O motorista da ambulância relatou que chegou com o rapaz por volta das 4 horas e alguém, que ainda não sei quem foi, não quis atendê-lo. Ele teve que retornar para Ribeirão Corrente e depois, em outra ambulância, para Franca, onde ficou internado até o óbito. Essa omissão de socorro será apurada”, disse o delegado.
POLÊMICA
O caso que envolveu Dênis é cercado de polêmica. De acordo com informações da polícia, ele teria sido convidado pelo filho de ACS para dormir na casa da família, onde teriam ingerido bebidas alcoólicas juntos. Por volta da meia-noite, Dênis, que estaria bêbado, teria começado - sem motivos aparentes - a dar chutes e murros na aposentada.
Os vizinhos chamaram a PM, que o deteve e encaminhou ACS para a Santa Casa de Franca, de onde foi liberada pouco depois. O andarilho foi conduzido para o Batalhão. De acordo com o irmão de Dênis, David Pereira da Silva, 27, o motivo da morte seria espancamento, por policiais ou parentes da aposentada (veja box ao lado). No depoimento dado na delegacia por um dos PMs, identificado como Trevisan, não é citado nenhum tipo de agressão, nem mesmo por parte do filho da aposentada.
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Para o médico legista Antônio Pesce Júnior, que fez a autópsia, não houve espancamento. “Nós necropsiamos e não encontramos sinais de agressão. Ele tinha algumas escoriações, sem dúvida, mas nada que pudesse justificar uma hemorragia cerebral”, disse.
O Comércio procurou a PM de Ribeirão Corrente, mas a alegação é de que apenas o comandante Marcondes, de Ituverava, poderia falar sobre o assunto. Ele não foi localizado. Já a Santa Casa, por meio de sua assessoria de imprensa, anunciou que iria apurar o que ocorreu.
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