O que faz Franca crescer


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São os feriados. Pelo menos do ponto de vista da densidade demográfica. Uma vez, quando um porto-alegrense soube que a cidade contava com dois feriados municipais, separados um do outro por apenas dez dias (28 de novembro e 8 de dezembro), manifestou interesse imediato em se mudar para a Capital do Calçado, com o intuito de usufruir dessas folgas. De 2006 para cá, com a instituição do feriado de 20 de novembro, por certo, muito mais gente anda sonhando em vir morar aqui. Afinal, são três dias de folga dentro de dezoito dias corridos. Isso, sem contar que nesse pequeno espaço de tempo estão três finais de semana. Dependendo da atividade profissional, somando mais seis dias de descanso, referentes aos sábados e domingos, dá empate: 9 a 9. Viva Franca! No mínimo, mais duas vezes então: Viva! Viva! Parabéns pelo 28 de novembro! Mais regozijos atrasados pelo 20 de novembro! Finalizando as congratulações, o 8 de dezembro já recebe antecipadamente as orações em homenagem à Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade. Houve época em que tanta comemoração provocava atritos. A contenda ficava por conta do setor comercial e religioso, um deles queria a unificação das comemorações entre 28 de novembro e 8 de dezembro, porque a população costumava procurar outra cidade para compras. Hoje, essa mentalidade mudou. O comércio local está em pé de igualdade frente à concorrência alienígena. Caso contrário, a área política também entraria na parada para defender a permanência do novato feriado de 20 de novembro. Ainda mais que ele coincide com o pagamento da quinzena e poderia gerar viagens em busca de mercadorias de preços melhores, isto é, mais baixos. Outrossim (existe sim e esse verbete é dos bons, puxe o dicionário, mas dos pesados!), não é só a busca de descanso que faz a população aumentar e a cidade crescer. Basta olhar para o atual entorno urbano. Trinta anos atrás, após a Rodovia Cândido Portinari, só havia as vilas São Sebastião, Rezende e Santa Helena. Depois é que vieram os jardins, os parques, os bairros e, agora, os badalados residenciais, para compor o que parece ser mesmo uma outra urbe nos arredores da quase bicentenária Franca. Na outra ponta da expansão urbana, depois das margens da Rodovia Ronan Rocha (Franca/Patrocínio) só existia uma pequena parte do Jardim Alvorada e nada mais, além de pasto. Os outros dois blocos ficavam do lado de cá. Esse triplo conglomerado ocorreu porque antigamente a estrada velha de Batatais era uma seqüência da Avenida Paulo VI e tudo ficava aquém do trevo. Pelo leste, após a Avenida Adhemar de Barros, antiga Estado do Rio, e a atual Rodovia João Traficante (Franca/Ibiraci), a cidade contava tão-somente com as Casas Populares, hoje parte do Jardim Brasilândia. O entorno fechava-se na saída para Claraval, sem mais nenhuma urbanização. Somente fazendas até Miramontes. Todo esse crescimento tem inúmeros fatores contribuintes. A começar pelo clima ameno, passando pela conhecida hospitalidade francana, chegando à expandida rede educacional de nível superior e ancorando na sobeja capacidade de trabalho da população. Apesar dos atraentes feriados! Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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