No fim do mês de outubro, as autoridades responsáveis pela gestão do trânsito em Franca receberam do Corpo de Bombeiros as estatísticas de acidentes ocorridos no município envolvendo motociclistas. O número de acidentes registrados entre condutores de motocicletas e animais, que compreende quedas e atropelamentos, teve um aumento expressivo, o que despertou a atenção dos especialistas.
Em média, a Unidade de Resgate atendia a uma ocorrência mensal envolvendo motociclistas e animais. “Em outubro, este número saltou para seis. A média subiu muito e agora vamos estudar algum tipo de solução para este problema “, disse Odair Tristão, secretário de Governo.
O aumento de número de acidentes pode ter relação direta com a lei que foi sancionada pelo governador José Serra (PSDB) no dia 17 de abril. A partir desta data, ficou proibido o sacrifício dos animais capturados pela carrocinha em todos os municípios paulistas. Sem condições para abrigar os 200 bichos que eram recolhidos em média por mês, a Prefeitura de Franca suspendeu a captura, o que aumentou o número de cães na rua e, conseqüentemente, o de acidentes envolvendo-os.
Com a proibição do sacrifício dos animais, a Vigilância Sanitária estuda a implantação de novas medidas para controlar a população canina em Franca. “Estamos negociando com algumas clínicas e também com a coordenação do curso de Medicina Veterinária da Unifran para estabelecer algum tipo de convênio para castrar os animais que forem capturados”, disse Fernando Baldochi, chefe da divisão.
O mototaxista Danilo Borges Mendes já passou diversos apuros no trânsito para desviar de cães nas ruas da cidade. “Além de prestar atenção no que os motoristas fazem, ainda tenho que ficar atento aos cães nas ruas”.
Sérgio Buranelli, diretor da Divisão de Trânsito, demonstrou outras preocupações com a presença dos animais. “Além de causar acidentes, os cachorros também podem transmitir doenças. A população precisa se conscientizar e manter a posse responsável”.
Nem mesmo as entidades que cuidam de bichos abandonados podem prestar algum tipo de auxílio à solução do problema. “Nossos dois abrigos estão lotados e não temos condições de receber mais animais”, disse Adriana Lopes, uma das voluntárias da ONG (Organização não Governamental) Cão Que Mia.
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