À espera de ajuda


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EM GRUPO - Imagem de arquivo mostra a psicóloga Maria Imaculada Anacleto (ao fundo) durante reunião com idosos em atendimento no Lar Eurípedes Barsanulfo
EM GRUPO - Imagem de arquivo mostra a psicóloga Maria Imaculada Anacleto (ao fundo) durante reunião com idosos em atendimento no Lar Eurípedes Barsanulfo
Pelo menos 55 idosos estão à espera de vagas nos asilos de Franca e região. As entidades destinadas ao atendimento desse público trabalham no limite e não têm previsão de quando atenderão à demanda. A falta de recursos financeiros é um dos empecilhos para ampliar a capacidade. O Comércio consultou dez lares, que cuidam de 314 pessoas. Nem a Prefeitura nem o Ministério Público têm controle da fila de idosos na cidade (leia no apoio). O contador Clóvis Barbosa, 47, presidente do Comuti (Conselho Municipal da Terceira Idade) e tesoureiro do Lar de Ofélia, considera o número dentro da normalidade. Para ele, a lista pode conter nomes repetidos. “Creio que pela população da região não seja uma quantidade exagerada. O número pode ser menor, talvez 30, 35 pessoas, porque a mesma família pode ter cadastrado o idoso em mais de uma instituição”. A Casa São Camilo de Lellis, que atende pessoas convalescentes, está com 30 moradores e tem 12 pacientes na lista de espera. Apesar de alguns casos serem urgentes, a entidade não tem como abrir exceções. “O número de pessoas esperando é alto, pois se formos avaliar, corresponde a 50% do nosso atendimento atual. Mas não temos espaço nem condições financeiras de absorver a demanda”, disse Elenir Malta, coordenadora da entidade, que recebe verbas municipal, estadual e federal. As subvenções cobrem apenas 33% dos gastos, o restante é fruto de doações e promoções. O presidente do Comuti, Clóvis, acredita que alguns lares de Franca têm capacidade física de ampliar as vagas, mas esbarram na questão financeira. “No Lar de Ofélia, cada idoso custa R$ 900 por mês. As subvenções somam R$ 245 per capita mais os 70% da aposentadoria deles que a lei dá direito à entidade de usar. Sobrevivemos porque recebemos doações. Mas se algumas entidades atenderem mais, vão à falência”, disse ele. “O Brasil está envelhecendo e, embora a política nacional incentive a manutenção do idoso na família, muitas vezes, por questões financeiras, eles acabam institucionalizados. É preciso rever os valores repassados aos lares”. Dalva Deodato, diretora da rede de Assistência Social da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social, disse que estuda a possibilidade de aumentar o repasse para idosos em 2009. Atualmente, o valor é de R$ 245 per capita por mês e a expectativa é que o valor suba para R$ 400. “O recurso é suficiente para cobrir as despesas sociais, porém quando vão para o asilo, acabam tendo outras necessidades. Algumas doenças se agravam e passam a precisar e assistência de alto custo”, disse Dalva. EXPECTATIVA E NECESSIDADE Enquanto as entidades não abrem vagas, o aposentado José Salvador Coelho, 83, passa os dias sob os cuidados da nora, a dona de casa Sílvia Regina Coelho, 52. José viveu durante 23 anos com uma senhora de 87 anos, mas ela ficou muito doente, não conseguia mais cuidar dele e há duas semanas, foi embora para morar na casa de uma sobrinha em Cristais Paulista. O senhor está sem companhia e, apesar de resistir no começo, aceitou viver num asilo. Não lhe restam alternativas. José teve cinco filhos, mas três já morreram. As duas filhas sobreviventes moram em São Paulo. No mês de abril, estiveram em Franca, mas o pai se recusou a se mudar para a capital. Ele vive numa casa no Jardim Ângela Rosa. Tem problemas de saúde e atualmente depende da nora para tomar banho, se alimentar e cuidar das feridas que apareceram em seu corpo. Ele é um dos dez idosos da fila de espera do Lar de Ofélia. Faz dois meses que a família aguarda a vaga. “Tenho dó. Eu faço o que posso, mas é difícil. Sou nora e ter de dar banho é constrangedor, mas cuido dele, não abandono”, disse Sílvia. A família não tem condições de pagar uma entidade particular. O Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo pretende ampliar a capacidade de 15 para 40 vagas. A Prefeitura assumiu a ampliação da entidade, mas as obras devem ficar prontas só em 2010. Serão investidos R$ 400 mil. DÊ SUA OPINIÃO Vote na enquete sobre a validade do Estatuto do Idoso no Blog GCN na Web - http://gcncomunica.wordpress.com/reporter-cidadao-2/interaja/

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