Se no dia-a-dia você convive com um amigo (ou vários) que não perde sequer uma oportunidade de fazer gozações ou brincar com qualquer tipo de situação, por menos engraçada que ela seja, não se desespere. Você está diante de um fanfarrão. De acordo com o dicionário Houaiss, fanfarrão é “aquele que conta bravatas, que alardeia coragem sem ser corajoso”. A expressão ganhou as ruas depois de ser citada em uma das cenas do filme Tropa de Elite, um dos maiores sucessos do cinema brasileiro neste ano.
Em Franca, um grupo de amigos que freqüenta todos os jogos do Franca Basquete e não pára de fazer gozações e brincadeiras por um minuto sequer decidiu assumir publicamente a identidade de fanfarrões e fundou, no ano passado, a AFFD (Associação Francana de Fanfarrões e Derivados).
A idéia surgiu após uma discussão virtual ocorrida na comunidade oficial do Franca Basquete no Orkut. “As pessoas criavam os tópicos para falar sobre os assuntos do time. A gente sempre comentava alguma coisa e depois virava zoeira. Os moderadores reclamaram disso e acabamos deixando a comunidade e criando a nossa, que atualmente conta com mais de 250 membros”, disse Gustavo Godói, um dos líderes do grupo. Além de uma página na internet, o grupo também criou os 10 mandamentos dos fanfarrões.
Para os membros da AFFD, não existe hora ou local para o início das gozações. “O pessoal pega no pé o tempo todo. Quem vacila já vira piada na hora, ninguém que dá bobeira na frente dos outros passa em branco”, disse Diego Marangoni, que também ajudou a fundar o grupo.
No ambiente escolar, também não é difícil identificar um fanfarrão. Ele é aquele que consegue (ou quer ser) o centro das atenções, adora fazer gozações e não perdoa o mínimo deslize dos colegas. “Bobeou na minha frente eu tiro onda mesmo. Quando o filme Tropa de Elite foi lançado, todo mundo começou a me chamar de fanfarrão e isso acontece até hoje. Até um professor já me tratou assim”, disse o estudante Igor Ramos de Azevedo, de 18 anos.
Mas também existe o lado ruim para as pessoas que carregam a ‘fama’ de fanfarronas. “Há duas semanas, caiu uma chuva forte e acabei levando um tombaço na porta da escola de inglês em que estudo. Foi uma gozação só. Senti como se todas as pessoas que eu havia tirado sarro na vida tivessem vindo rir da minha cara naquele momento”, disse Igor.
Mas nem o episódio constrangedor fez Igor abandonar a Associação. “No final, eu estava rindo de mim mesmo. Nós, fanfarrões, não perdoamos ninguém”, disse brincando, é claro.
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